{"id":100,"date":"2018-10-19T17:13:39","date_gmt":"2018-10-19T16:13:39","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ipleiria.pt\/15historias\/?page_id=100"},"modified":"2019-06-11T13:11:09","modified_gmt":"2019-06-11T12:11:09","slug":"caso-10-o-valor-do-tempo-paciencia-e-tolerancia","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/15historias\/caso-10-o-valor-do-tempo-paciencia-e-tolerancia\/","title":{"rendered":"Caso 10: O valor do tempo: paci\u00eancia e toler\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"180\" height=\"173\" src=\"http:\/\/sites.ipleiria.pt\/15historias\/files\/2019\/03\/img-28.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-519\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n<div class=\"container\">\n<h1 class=\"article-title\">Caso 10: O valor do tempo: paci\u00eancia e toler\u00e2ncia<\/h1>\n<div class=\"author-card\">\n<p class=\"author-name\"><strong>Autor:<\/strong> Olga Santos<\/p>\n<p class=\"author-description\">Escola Superior de Educa\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancias Sociais, Instituto Polit\u00e9cnico de Leiria<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"author-reference\"><strong>Referir este caso:<\/strong> Santos, O. (2018). O valor do tempo: paci\u00eancia e toler\u00e2ncia. In R. Cadima, I. Pereira, M. Francisco &amp; S. Cunha (Coords.).\u00a0<em>15 hist\u00f3rias para incluir.<\/em> [Online]. Polit\u00e9cnico de Leiria: Leiria.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--gray mr-top30 mr-bottom50\">\n<div class=\"container\">\n<h2 class=\"article-subtitle\">Para come\u00e7ar<\/h2>\n<p>O ser humano nasce com potencialidades para aprender a falar que s\u00e3o facilitadas pelo meio e pela estimula\u00e7\u00e3o que recebe ao longo de todo o seu percurso. Tal percurso poder\u00e1 culminar em situa\u00e7\u00f5es menos desej\u00e1veis, onde o indiv\u00edduo poder\u00e1 ficar com perturba\u00e7\u00f5es da linguagem, como \u00e9 exemplo a disfemia, mais conhecida por gaguez.<\/p>\n<p>Esta perturba\u00e7\u00e3o carateriza-se pela exist\u00eancia\u00a0de uma desconex\u00e3o entre o pensamento e a fala,\u00a0provocando uma interrup\u00e7\u00e3o brusca no discurso\u00a0antes de uma palavra ou de uma s\u00edlaba (Salsinha, 2011, Gleittman, Fridlund &amp; Reisberg, 2007). \u00c9\u00a0um fen\u00f3meno muito complexo que surpreende\u00a0pela quantidade de exce\u00e7\u00f5es e irregularidades\u00a0(Zamora, 2007). Esta patologia pode desenvolver nos\u00a0indiv\u00edduos sentimentos como vergonha, frustra\u00e7\u00e3o,\u00a0ansiedade, culpa e baixa autoestima, levando-os \u00e0\u00a0solid\u00e3o ao tomarem consci\u00eancia da fraca flu\u00eancia do\u00a0seu discurso (Friedman, 2004).<\/p>\n<p>A toler\u00e2ncia ser\u00e1 a palavra-chave para incentivar os\u00a0indiv\u00edduos, com esta perturba\u00e7\u00e3o da linguagem, a\u00a0comunicar, mantendo um ambiente calmo para n\u00e3o\u00a0agudizar a problem\u00e1tica em quest\u00e3o (Jakubovicz, 2009). Atendendo a que a gaguez se agrava com a\u00a0idade, os indiv\u00edduos com esta patologia, dever\u00e3o ter,\u00a0da parte dos seus pares, um atendimento ajustado \u00e0s\u00a0suas necessidades, independentemente do local que\u00a0tenham de frequentar, por necessidade ou lazer.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"container\">\n<h2 class=\"article-subtitle\">Para ler<\/h2>\n<p>Ol\u00e1, sou a Sofia e trabalho numa reparti\u00e7\u00e3o de Finan\u00e7as, h\u00e1 cerca de 20 anos, algures em Portugal. Podem imaginar o n\u00famero de pessoas que atendo diariamente, mas eu gosto daquilo que fa\u00e7o e acho que tenho voca\u00e7\u00e3o para lidar com p\u00fablico. Mas nem sempre \u00e9 f\u00e1cil e por vezes surgem situa\u00e7\u00f5es com as quais n\u00e3o sabemos lidar.<\/p>\n<p>Uma dessas situa\u00e7\u00f5es que me deixou francamente atrapalhada aconteceu h\u00e1 pouco tempo. Havia uma fila intermin\u00e1vel, com cerca de 40 minutos de espera por pessoa, para pagar o IMI (Imposto Municipal sobre Im\u00f3veis).<\/p>\n<p>Chegou a vez do Sr. Ant\u00f3nio, que era um cidad\u00e3o que tinha dificuldades de\u00a0comunica\u00e7\u00e3o, ou seja, perturba\u00e7\u00e3o da flu\u00eancia (gaguez) o que requeria mais tempo\u00a0para se exprimir. Eu entendia-o perfeitamente, contudo, o Sr. Ant\u00f3nio tinha v\u00e1rias d\u00favidas que foi colocando ao seu ritmo, sendo que o meu dever era esclarec\u00ea-lo,\u00a0independentemente do tempo necess\u00e1rio, pois tinha permanecido na fila at\u00e9 chegar\u00a0a sua vez.<\/p>\n<p>O problema surge quando as restantes pessoas come\u00e7am a reclamar e se ouve em\u00a0bom som a conversa entre alguns utentes:<\/p>\n<div class=\"story--dialog\">\n<p>&#8211; Francamente! Tanto tempo para pagar o IMI??<\/p>\n<p>&#8211; Pudera o homem \u00e9 gago!<\/p>\n<p>&#8211; Podiam chamar outra pessoa para o atender&#8230;<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o h\u00e1 uma fila para deficientes? Se n\u00e3o h\u00e1&#8230; deveria haver.<\/p>\n<p>&#8211; Ou ent\u00e3o terem horas espec\u00edficas para esta gente.<\/p>\n<\/div>\n<p>Ao ouvir isto, o Sr. Ant\u00f3nio come\u00e7ou a ficar nervoso e a gaguejar cada vez mais. Eu fiquei igualmente nervosa com a situa\u00e7\u00e3o e sem saber o que fazer. A determinada\u00a0altura perdi a concentra\u00e7\u00e3o e deixei de perceber o que o Sr. Ant\u00f3nio queria dizer. Ou\u00a0seja, a situa\u00e7\u00e3o saiu do meu controlo&#8230;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"container--gray mr-top30 mr-bottom50\">\n<div class=\"container\">\n<h2 class=\"article-subtitle\">Para equacionar<\/h2>\n<p>Lidar com a situa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<ul>\n<li>Que atitude tomar<\/li>\n<li>Que solu\u00e7\u00f5es devem as institui\u00e7\u00f5es oferecer<\/li>\n<li>A gaguez deve ser vista como uma defici\u00eancia<\/li>\n<li>Ignorar os coment\u00e1rios ou reagir<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"container\">\n<h2 class=\"article-subtitle\">Para debater<\/h2>\n<p class=\"section--subtitle\">1. O que faria se fosse a Sofia?<\/p>\n<p>Perante esta situa\u00e7\u00e3o, se fosse voc\u00ea a pessoa que estivesse no atendimento, o que faria para resolver a situa\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p class=\"section--subtitle\">2. Como sensibilizar os utentes da fila?<\/p>\n<p>Mesmo n\u00e3o tendo forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea, que estrat\u00e9gias considera serem adequadas\u00a0para minimizar situa\u00e7\u00f5es como esta?<\/p>\n<p class=\"section--subtitle\">3. Estrat\u00e9gias institucionais<\/p>\n<p>Que estrat\u00e9gias podem ser implementadas nas institui\u00e7\u00f5es para evitar situa\u00e7\u00f5es\u00a0semelhantes?<\/p>\n<p class=\"section--subtitle\">4. O que faria se estivesse na fila?<\/p>\n<p>Imagine-se um dos utentes da fila, j\u00e1 perdeu imenso tempo, tem consulta marcada no m\u00e9dico e ainda tem de ir buscar a filha \u00e0 escola. Ouve os coment\u00e1rios dos\u00a0outros utentes impacientes&#8230;. o que faria?<\/p>\n<p class=\"section--subtitle\">5. Papel ativo ou passivo?<\/p>\n<p>Enquanto indiv\u00edduo \u201cobservador\u201d que presencia situa\u00e7\u00f5es como esta, qual o papel que\u00a0adota?<\/p>\n<ul type=\"a\">\n<li>Sente-se mais confort\u00e1vel em deixar correr a situa\u00e7\u00e3o, na convic\u00e7\u00e3o de que algu\u00e9m ir\u00e1 tomar medidas.<\/li>\n<li>N\u00e3o d\u00e1 import\u00e2ncia porque situa\u00e7\u00f5es de intoler\u00e2ncia j\u00e1 aconteceram consigo.<\/li>\n<li>Interv\u00e9m porque se existe um conflito \u00e9 importante a interven\u00e7\u00e3o de um \u201cmediador\u201d e voc\u00ea pode desempenhar esse papel.<\/li>\n<li>Atua de forma a encontrar rapidamente uma solu\u00e7\u00e3o&#8230;<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote>\n<p>Algumas atitudes podem ajudar: cartazes de sensibiliza\u00e7\u00e3o, que mostrem o direito de todos serem atendidos no tempo que lhes for necess\u00e1rio.<br \/>A disponibiliza\u00e7\u00e3o de mais funcion\u00e1rios. Ter um setor\u00a0s\u00f3 para informa\u00e7\u00f5es de forma a agilizar todo o atendimento.<br \/><cite>Suammy Cordeiro<\/cite><\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<p>\u00c9 muito f\u00e1cil cair na tenta\u00e7\u00e3o de ir atr\u00e1s dos coment\u00e1rios, porque tamb\u00e9m estamos com pressa e impacientes&#8230; Podia dizer tamb\u00e9m que interviria para acalmar os outros utentes, mas seria muito complicado. As pessoas j\u00e1 s\u00e3o muito pouco calmas nestas situa\u00e7\u00f5es (\u2026). Provavelmente optaria por questionar um colega se haveria possibilidade de abrir\u00a0outra mesa de atendimento.<br \/><cite>Marta Costa<\/cite><\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<div class=\"container--gray mr-top30 mr-bottom50\">\n<div class=\"container\">\n<h2 class=\"article-subtitle\">Para reter<\/h2>\n<p>Considerando que cada caso \u00e9 um caso e que as solu\u00e7\u00f5es adotadas para uma situa\u00e7\u00e3o poder\u00e3o n\u00e3o ser as indicadas para\u00a0outras, deixamos um poss\u00edvel desfecho, baseado numa situa\u00e7\u00e3o real.<\/p>\n<p>A Sofia apesar do nervosismo, tranquilizou o Sr. Ant\u00f3nio, dizendo-lhe que estava na sua vez e que tinha todo o direito de ser\u00a0atendido ao seu ritmo e que ela estava ali para o esclarecer. Apesar de sentir vontade de reagir perante os utentes da fila, permaneceu calada pois sentiu que se reagisse poderia\u00a0empolgar a situa\u00e7\u00e3o em vez de a reverter. Al\u00e9m disso, receou que ao manifestar-se algu\u00e9m poderia deixar registo no livro de\u00a0reclama\u00e7\u00f5es sem refletir verdadeiramente a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estes casos acontecem diariamente no nosso pa\u00eds, com diferentes desfechos, consoante a sensibilidade de quem est\u00e1 no\u00a0atendimento e de quem est\u00e1 na fila. Assim, tal como foi referido no debate, as institui\u00e7\u00f5es deveriam adotar estrat\u00e9gias de\u00a0forma\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios e sensibiliza\u00e7\u00e3o dos utentes de forma a contribuir para uma sociedade onde o valor do tempo seja\u00a0acrescido de paci\u00eancia e toler\u00e2ncia.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"container\">\n<h2 class=\"article-subtitle\">Para consultar<\/h2>\n<p class=\"section--subtitle\">Refer\u00eancias<\/p>\n<p>Friedman, S. (2004). Gagueira: origem e tratamento. S\u00e3o Paulo: Plexus.<\/p>\n<p>Gleittman, H., Fridlund, A. J., &amp; Reisberg, D. (2007). Psicologia. Lisboa: Funda\u00e7\u00e3o Calouste GulbenKian.<\/p>\n<p>Jakubovicz, R. (2009). Gaguira. Rio de Janeiro: Revinter.<\/p>\n<p>Salsinha, H. (2011). Altera\u00e7\u00f5es da Flu\u00eancia Verbal: A Gaguez. Psicologia &#8211; o portal dos psic\u00f3logos. <a href=\"http:\/\/www.psicologia.pt\/artigos\/textos\/TL0219.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.psicologia.pt\/artigos\/textos\/TL0219.pdf<\/a><\/p>\n<p>Zamora, C. L. (2007). Antropologia de la tartamudez. Etnografia y propuestas. Barcelona: Edicions Bellaterra.<\/p>\n<p class=\"section--subtitle\">Sugest\u00f5es de pesquisa<\/p>\n<p>V\u00eddeo sobre gaguez. <a href=\"https:\/\/youtu.be\/ny3GLExDqcM\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/youtu.be\/ny3GLExDqcM<\/a><\/p>\n<p>Gaguez e Ansiedade. Mitos e Factos. <a href=\"https:\/\/www.centrotratamentogaguez.pt\/single-post\/2017\/01\/25\/Gaguez-e-Ansiedade-Mitos-e-Factos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.centrotratamentogaguez.pt\/single-post\/2017\/01\/25\/Gaguez-e-Ansiedade-Mitos-e-Factos<\/a><\/p>\n<p>Artigo da TF Rita Valente (CTGaguez) publicado no Journal of Fluency Disorders. <a href=\"https:\/\/www.centrotratamentogaguez.pt\/single-post\/2017\/07\/10\/Artigoda-TF-Rita-Valente-CTGaguez-publicado-no-Journal-of-Fluency-Disorders\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.centrotratamentogaguez.pt\/single-post\/2017\/07\/10\/Artigoda-TF-Rita-Valente-CTGaguez-publicado-no-Journal-of-Fluency-Disorders<\/a><\/p>\n<p>Mitos e Factos sobre Gaguez. <a href=\"https:\/\/www.stutteringhelp.org\/sites\/default\/files\/Myths_portuguese.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">https:\/\/www.stutteringhelp.org\/sites\/default\/files\/Myths_portuguese.pdf<\/a><\/p>\n<p>Associa\u00e7\u00e3o portuguesa de gagos. <a href=\"http:\/\/www.gaguez-apg.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">http:\/\/www.gaguez-apg.com\/<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caso 10: O valor do tempo: paci\u00eancia e toler\u00e2ncia Autor: Olga Santos Escola Superior de Educa\u00e7\u00e3o e Ci\u00eancias Sociais, Instituto Polit\u00e9cnico de Leiria Referir este caso: Santos, O. 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