{"id":1899,"date":"2022-01-25T12:29:43","date_gmt":"2022-01-25T12:29:43","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/pge\/?page_id=1899"},"modified":"2022-02-07T16:22:19","modified_gmt":"2022-02-07T16:22:19","slug":"texto","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/gdip\/texto\/","title":{"rendered":"Texto"},"content":{"rendered":"\n<p>A palavra <strong><span class=\"has-inline-color has-blue-color\">texto<\/span><\/strong><em> <\/em>est\u00e1 indubitavelmente associada \u00e0 palavra <em>escrita<\/em>, no sentido em que \u00e9 a designa\u00e7\u00e3o usada para referir um conjunto de enunciados escritos que se apresenta visualmente estruturado e impresso num suporte tipogr\u00e1fico. A rela\u00e7\u00e3o \u00edntima entre estas duas realidades, texto e escrita, n\u00e3o pode, por\u00e9m, levar-nos a encarar o texto apenas como uma unidade da l\u00edngua escrita, como se fazia tradicionalmente, porquanto a sua conceptualiza\u00e7\u00e3o enquanto unidade lingu\u00edstica diz respeito tanto \u00e0 sua rela\u00e7\u00e3o com a escrita quanto com a fala. De facto, o texto \u00e9 uma unidade de uso lingu\u00edstico e, como tal, reporta-se ao produto de um processo de codifica\u00e7\u00e3o de significado particular, associado a um contexto, independentemente de tal processo se desenvolver no modo oral ou no modo escrito. Ou seja, enquanto produ\u00e7\u00f5es verbais efectivas, os textos s\u00e3o realiza\u00e7\u00f5es emp\u00edricas que se manifestam material e contextualmente quer nas ondas sonoras da oralidade quer no caracteres e formata\u00e7\u00f5es (orto)gr\u00e1ficas de uma p\u00e1gina impressa ou manuscrita. A no\u00e7\u00e3o pode, portanto, ser aplicada a qualquer produ\u00e7\u00e3o verbal contextualmente situada, oral ou escrita. Ao contr\u00e1rio dos textos escritos, cuja perman\u00eancia na cultura \u00e9 natural em fun\u00e7\u00e3o do car\u00e1cter de preserva\u00e7\u00e3o associado ao suporte usado (o papel, regra geral), os textos orais s\u00e3o apenas acess\u00edveis no momento da sua produ\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o ser que os possamos gravar para assim os ouvirmos repetidamente ap\u00f3s tal momento; neste caso, podemos ainda proceder \u00e0 sua transcri\u00e7\u00e3o, submetendo-os a um processo de fixa\u00e7\u00e3o semelhante ao da l\u00edngua escrita, mas dele distinto, no sentido em que se tratar\u00e1 de uma transcri\u00e7\u00e3o (escrita) de l\u00edngua oral e n\u00e3o de codifica\u00e7\u00e3o directamente em l\u00edngua escrita.<\/p>\n\n\n\n<p>A conceptualiza\u00e7\u00e3o por detr\u00e1s da no\u00e7\u00e3o de texto abarca ainda aspectos relativos \u00e0 sua extens\u00e3o, ao car\u00e1cter dial\u00f3gico da sua exist\u00eancia como unidade de comunica\u00e7\u00e3o e \u00e0 sua depend\u00eancia contextual. Porque existe sempre em fun\u00e7\u00e3o de um determinado contexto, de tal forma que podemos dizer que o contexto \u00e9 parte integrante do mesmo, um texto pode ter extens\u00e3o vari\u00e1vel, desde apenas uma frase (\u201c\u00c9 proibido fumar\u201d) ou um sintagma (\u201cN\u00e3o fumar\u201d) at\u00e9 ao limite de frases que queiramos imaginar; a extens\u00e3o pode ser pertinente para a caracteriza\u00e7\u00e3o de um texto, mas \u00e9 irrelevante para a defini\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de texto. Da mesma forma, um texto tem sempre um car\u00e1cter dial\u00f3gico, j\u00e1 que enquanto produ\u00e7\u00e3o de linguagem, situada, tem um prop\u00f3sito comunicativo, existe em fun\u00e7\u00e3o de outrem que n\u00e3o o seu autor, se bem que esse outro possa ser ele pr\u00f3prio co-autor do texto, como acontece nas conversas, nos debates, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal como n\u00e3o se restringem apenas ao modo escrito, os textos n\u00e3o se restringem apenas \u00e0 modalidade verbal de express\u00e3o de significado, considerando que podem tamb\u00e9m fazer uso da modalidade visual de significa\u00e7\u00e3o. \u00c9 certo que a dimens\u00e3o verbal tem reconhecidamente um lugar central e de refer\u00eancia na semi\u00f3tica social, mas a dimens\u00e3o visual n\u00e3o lhe fica atr\u00e1s. A conjuga\u00e7\u00e3o multimodal destas duas formas de significa\u00e7\u00e3o no dom\u00ednio do texto ser\u00e1 diferente nas iluminuras medievais e na moderna publicidade, por exemplo, mas a interdepend\u00eancia de ambas num \u00fanico processo de significa\u00e7\u00e3o, num caso e noutro, permite-nos referir os conjuntos de tais produ\u00e7\u00f5es como textos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sistematizando: um texto \u00e9 o que produzimos quando comunicamos, pode ser falado ou escrito, pode ser individual ou colectivo, pode ser composto de apenas uma frase ou de v\u00e1rias, \u00e9 um conjunto de significados apropriados ao seu contexto, tem um objectivo comunicativo e pode ser apenas verbal ou uma conjuga\u00e7\u00e3o de diferentes modalidades de significa\u00e7\u00e3o (verbal e visual, por exemplo), caso em que se tratar\u00e1 de um texto multimodal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><strong>Forma de referencia\u00e7\u00e3o sugerida<\/strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Gouveia, C. A. M. (2022). Texto. Retirado de: <a href=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/pge\/texto\/\">https:\/\/sites.ipleiria.pt\/pge\/texto\/<\/a> \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><a href=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/pge\/generos-academicos\/\" data-type=\"page\" data-id=\"1570\"><strong>\u21d0&nbsp;<\/strong>(voltar \u00e0 p\u00e1gina Descri\u00e7\u00e3o de g\u00e9neros)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><a href=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/pge\/outros-recursos\/\"><strong>\u21d0&nbsp;<\/strong>(voltar \u00e0 p\u00e1gina Recursos gerais)<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A palavra texto est\u00e1 indubitavelmente associada \u00e0 palavra escrita, no sentido em que \u00e9 a designa\u00e7\u00e3o usada para referir um conjunto de enunciados escritos que se apresenta visualmente estruturado e impresso num suporte tipogr\u00e1fico. 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