{"id":2296,"date":"2024-04-18T11:22:09","date_gmt":"2024-04-18T11:22:09","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/pge\/?page_id=2296"},"modified":"2024-04-18T11:23:06","modified_gmt":"2024-04-18T11:23:06","slug":"subgenero","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/gdip\/subgenero\/","title":{"rendered":"Subg\u00e9nero\u00a0"},"content":{"rendered":"\n<p>O conceito de <strong><strong><span class=\"has-inline-color has-blue-color\">subg\u00e9nero <\/span><\/strong><\/strong>tem sido objeto de reflex\u00e3o no seio da Teoria da Literatura, sendo h\u00e1 muito aplicado a textos liter\u00e1rios. Designa-se subg\u00e9nero \u201cuma categoria genol\u00f3gica secund\u00e1ria e deduzida da especifica\u00e7\u00e3o funcional e hist\u00f3rico-cultural de um determinado <em>g\u00e9nero<\/em> [\u2026], assumido como refer\u00eancia matricial e, por assim dizer, de n\u00edvel superior\u201d (Reis, 2018, p. 488).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o exemplos de subg\u00e9neros as classes <em>romance naturalista<\/em>, <em>novela policial<\/em>, <em>soneto ingl\u00eas<\/em>, <em>epopeia renascentista<\/em> (respetivamente dos g\u00e9neros <em>romance<\/em>, <em>novela<\/em>, <em>soneto<\/em> e <em>epopeia<\/em>). Mas o conceito pode ser aplicado a textos de g\u00e9neros n\u00e3o liter\u00e1rios, como se comprova com o g\u00e9nero <em>dicion\u00e1rio<\/em>, que se relaciona com m\u00faltiplos subg\u00e9neros: o <em>dicion\u00e1rio de l\u00edngua (unilingue ou bilingue)<\/em>, <em>etimol\u00f3gico<\/em>, <em>de sin\u00f3nimos<\/em>, <em>de ant\u00f3nimos<\/em>, <em>de verbos<\/em>, <em>de reg\u00eancias<\/em>, <em>de g\u00edrias e cal\u00e3o<\/em>, <em>de prov\u00e9rbios<\/em>, <em>de autores<\/em>, <em>de hist\u00f3ria<\/em>, <em>tem\u00e1tico<\/em>, <em>ilustrado<\/em>, <em>enciclop\u00e9dico<\/em>, <em>escolar<\/em>, <em>de bolso<\/em>, etc.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os textos de m\u00faltiplos g\u00e9neros liter\u00e1rios e n\u00e3o liter\u00e1rios revelam propriedades situacionais e textuais que justificam serem simultaneamente inseridos numa classe e numa subclasse genol\u00f3gica. Ou seja, refletem caracter\u00edsticas que s\u00e3o associadas a um dado g\u00e9nero, mas evidenciam outras que os particularizam, pelo que constituem, concomitantemente, exemplares de um subg\u00e9nero e do g\u00e9nero do qual o subg\u00e9nero depende.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As etiquetas dos subg\u00e9neros s\u00e3o geralmente compostas por \u201cum substantivo, que \u00e9 a designa\u00e7\u00e3o genol\u00f3gica abrangente, completado por um atributo que o especializa\u201d (Reis 1995, p. 264), como se verifica em <em>dicion\u00e1rio de sin\u00f3nimos<\/em>. Sendo geradas desta forma, as designa\u00e7\u00f5es dos subg\u00e9neros quase sempre revelam tamb\u00e9m o g\u00e9nero em que se inserem e de que dependem. Uma exce\u00e7\u00e3o, possivelmente entre outras, parece ser o caso do g\u00e9nero <em>prova de avalia\u00e7\u00e3o<\/em>; pode dizer-se que este g\u00e9nero inclui diversos subg\u00e9neros, de que se destacam o <em>teste<\/em>, a <em>frequ\u00eancia<\/em> e o <em>exame<\/em>. Assim, a etiqueta de cada um destes subg\u00e9neros n\u00e3o integra a designa\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero de que dependem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A lista de subg\u00e9neros do g\u00e9nero <em>dicion\u00e1rio<\/em> atr\u00e1s explicitada permite concluir que h\u00e1 m\u00faltiplas dimens\u00f5es (situacionais e textuais) que contribuem para o estabelecimento dessas classes. A seguir, s\u00e3o indicadas algumas dessas dimens\u00f5es:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2212 o conte\u00fado (<em>romance policial<\/em>, <em>conto fant\u00e1stico<\/em>);&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2212 o movimento art\u00edstico-liter\u00e1rio (<em>soneto renascentista<\/em>, <em>can\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica<\/em>);&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2212 o per\u00edodo temporal ou \u00e9poca (<em>can\u00e7\u00e3o medieval<\/em>, <em>romance oitocentista<\/em>);&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2212 a nacionalidade, civiliza\u00e7\u00e3o ou regi\u00e3o geogr\u00e1fica (<em>trag\u00e9dia grega<\/em>, <em>can\u00e7\u00e3o proven\u00e7al<\/em>);&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2212 o autor de textos de um dado g\u00e9nero (<em>ode horaciana<\/em>, <em>novela camiliana<\/em>);&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2212 a estrutura ou organiza\u00e7\u00e3o interna do texto (<em>romance epistolar<\/em>).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, note-se que o conceito de subg\u00e9nero n\u00e3o deve ser confundido com o de g\u00e9nero inclu\u00eddo. Duas propriedades os distinguem: por um lado, cada subg\u00e9nero \u00e9 um exemplar do g\u00e9nero de que depende (um <em>romance hist\u00f3rico<\/em> \u00e9 um exemplar do g\u00e9nero <em>romance<\/em>), o que n\u00e3o se observa no caso de um g\u00e9nero inclu\u00eddo (a <em>introdu\u00e7\u00e3o <\/em>de um artigo cient\u00edfico n\u00e3o \u00e9 um exemplar do g\u00e9nero <em>artigo cient\u00edfico<\/em>; constitui uma parte ou sec\u00e7\u00e3o de um texto do g\u00e9nero <em>artigo cient\u00edfico<\/em>, mas trata-se de um exemplar do g\u00e9nero <em>introdu\u00e7\u00e3o<\/em>). Por outro lado, a designa\u00e7\u00e3o do g\u00e9nero est\u00e1, regra geral, integrada na designa\u00e7\u00e3o do subg\u00e9nero (atente-se em <em>romance hist\u00f3rico<\/em> e <em>romance<\/em>, por exemplo), o que n\u00e3o sucede com o g\u00e9nero inclu\u00eddo (<em>introdu\u00e7\u00e3o<\/em> e <em>artigo cient\u00edfico<\/em>).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A descri\u00e7\u00e3o efetuada baseia-se em crit\u00e9rios originalmente propostos no \u00e2mbito dos Estudos Liter\u00e1rios (Reis, 1995, 2018). Ao longo da exposi\u00e7\u00e3o, procurou-se adotar essa conce\u00e7\u00e3o, inicialmente aplicada apenas aos textos liter\u00e1rios, a todos os textos produzidos em qualquer \u00e1rea de atividade socioprofissional (Silva, 2012, 2020).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Reis, C. (1995). <em>O conhecimento da literatura<\/em>. Almedina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Reis, C. (2018). <em>Dicion\u00e1rio de estudos narrativos<\/em>. Almedina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Silva, P. N. (2012). <em>Tipologias textuais. Como classificar textos e sequ\u00eancias<\/em>. Almedina\/CELGA.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Silva, P. N. (2020). Redes, cadeias, sistemas e report\u00f3rios: Sobre as rela\u00e7\u00f5es entre g\u00e9neros. <em>Lingu\u00edstica (Revista de Estudos Lingu\u00edsticos da Universidade do Porto),<\/em> <em>15,<\/em> 95-134. <a href=\"https:\/\/ojs.letras.up.pt\/index.php\/EL\/article\/view\/9477\/8691\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/ojs.letras.up.pt\/index.php\/EL\/article\/view\/9477\/8691<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Forma de referencia\u00e7\u00e3o sugerida<\/strong>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Silva, P. N. (2024). <em>Subg\u00e9nero<\/em>. Retirado de:\u202f <a href=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/pge\/subgenero\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/sites.ipleiria.pt\/pge\/subgenero\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><a href=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/pge\/generos-academicos\/\" data-type=\"page\" data-id=\"1570\"><strong>\u21d0&nbsp;<\/strong>(voltar \u00e0 p\u00e1gina Conceitos)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><a href=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/pge\/outros-recursos\/\"><strong>\u21d0&nbsp;<\/strong>(voltar \u00e0 p\u00e1gina Recursos gerais)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O conceito de subg\u00e9nero tem sido objeto de reflex\u00e3o no seio da Teoria da Literatura, sendo h\u00e1 muito aplicado a textos liter\u00e1rios. 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