{"id":598,"date":"2018-01-05T10:24:12","date_gmt":"2018-01-05T10:24:12","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ipleiria.pt\/pge\/?page_id=598"},"modified":"2022-01-22T15:54:42","modified_gmt":"2022-01-22T15:54:42","slug":"definicoes-genero","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/gdip\/recursos\/definicoes-genero\/","title":{"rendered":"G\u00e9nero"},"content":{"rendered":"<p>O que se entende por &#8220;g\u00e9nero&#8221;? A resposta exata a esta pergunta depende do posicionamento te\u00f3rico adotado. Comparam-se aqui, brevemente, a abordagem proposta pela Escola de Sydney, que subjaz \u00e0 maioria dos recursos atualmente dispon\u00edveis no Portal, com um conjunto de abordagens de origem europeia e americana, praticadas em Portugal e adotadas, por exemplo, no <a href=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/pge\/ensino-superior\/\">Corpus de Portugu\u00eas Acad\u00e9mico<\/a> disponibilizado neste Portal.<\/p>\n<p>A <strong>Escola de Sydney<\/strong> \u00e9 uma corrente em Estudos de G\u00e9nero informada pela Lingu\u00edstica Sist\u00e9mico-Funcional. Partindo de um trabalho de linguistas e educadores australianos na d\u00e9cada de 80 do s\u00e9culo passado, os princ\u00edpios da Escola de Sydney s\u00e3o atualmente praticados em v\u00e1rios pa\u00edses. Visam, por um lado, a identifica\u00e7\u00e3o e descri\u00e7\u00e3o dos g\u00e9neros existentes na sociedade e, por outro, a conce\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas informadas pelo conceito de g\u00e9nero.<\/p>\n<p>A Escola de Sydney encara os g\u00e9neros como &#8220;tipos de texto que se caracterizam pelo seu uso e pela sua estrutura&#8221;. Entende tamb\u00e9m que os g\u00e9neros est\u00e3o associados a contextos sociais e culturais espec\u00edficos. Particularmente prof\u00edcuo tem sido o trabalho sobre os g\u00e9neros utilizados em contextos educativos,\u00a0em diferentes disciplinas e n\u00edveis escolares. Fala-se, neste caso, em &#8220;g\u00e9neros escolares&#8221; ou &#8220;g\u00e9neros acad\u00e9micos&#8221;. O primeiro termo refere-se sobretudo aos g\u00e9neros presentes nos n\u00edveis de escolaridade obrigat\u00f3ria; o segundo, aos g\u00e9neros do ensino superior (para ler mais sobre a abordagem da Escola de Sydney, clique <a href=\"https:\/\/proa.ua.pt\/index.php\/id\/article\/view\/17433\">aqui<\/a>)<\/p>\n<p>Noutros enquadramentos te\u00f3ricos, os g\u00e9neros s\u00e3o concebidos de maneira diferente. Estas diferen\u00e7as, todavia, incidem mais nas classes contempladas e nas respetivas designa\u00e7\u00f5es e menos na defini\u00e7\u00e3o ou nos crit\u00e9rios que as permitem identificar.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito de disciplinas como a <strong>Lingu\u00edstica Textual<\/strong> e a <strong>An\u00e1lise do Discurso<\/strong> (escolas de l\u00edngua francesa), de teoriza\u00e7\u00f5es como o <strong>Interacionismo Sociodiscursivo<\/strong> e de \u00e1reas de investiga\u00e7\u00e3o como o <strong>Ingl\u00eas para Fins Acad\u00e9micos<\/strong>, os g\u00e9neros designam classes de textos que podem ser caracterizados de acordo com crit\u00e9rios m\u00faltiplos e heterog\u00e9neos. Ou seja, propriedades situacionais (ou externas) e propriedades textuais (ou internas) contribuem para definir e delimitar os g\u00e9neros.<\/p>\n<p>Entre as propriedades situacionais mais relevantes, contam-se a \u00e1rea de atividade socioprofissional em que um determinado g\u00e9nero \u00e9 usado, os pap\u00e9is socioprofissionais de que os indiv\u00edduos est\u00e3o investidos quando produzem um texto desse g\u00e9nero e os objetivos que com ele pretendem atingir. As propriedades textuais mais importantes incluem os temas abordados nos textos de um dado g\u00e9nero, a sua estrutura t\u00edpica e aspetos de natureza estil\u00edstico-fraseol\u00f3gica, em particular a n\u00edvel da sele\u00e7\u00e3o do l\u00e9xico e das estruturas sint\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Os g\u00e9neros est\u00e3o ancorados em atividades sociais e profissionais espec\u00edficas. Os membros de uma dada comunidade socioprofissional t\u00eam \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o um conjunto de g\u00e9neros que podem usar para procurar atingir os objetivos inerentes a essa \u00e1rea. Por exemplo, os indiv\u00edduos que se dedicam ao jornalismo, servem-se de g\u00e9neros como a not\u00edcia, o editorial, a reportagem, a entrevista, o artigo de opini\u00e3o, a coluna, etc. Os indiv\u00edduos que desenvolvem atividades no ensino superior e na investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica t\u00eam ao seu dispor g\u00e9neros escritos como o artigo cient\u00edfico, a tese de doutoramento, a disserta\u00e7\u00e3o de mestrado e o manual, e g\u00e9neros orais como a confer\u00eancia, a comunica\u00e7\u00e3o em encontro cient\u00edfico, a aula e a sess\u00e3o de tutoria, entre outros. Ao produzir um novo texto, o falante adota e adapta as propriedades t\u00edpicas do g\u00e9nero em causa. Assim, cada novo texto \u00e9 sempre constru\u00eddo com base num modelo de g\u00e9nero (ou em mais do que um).<\/p>\n<p>Nas sociedades atuais, s\u00e3o reconhecidas comunidades discursivas que desenvolvem atividades socialmente relevantes e que se destacam tamb\u00e9m pela produ\u00e7\u00e3o de textos (orais e escritos). Al\u00e9m do jornalismo e do ensino e investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, pode-se acrescentar a justi\u00e7a, a literatura, a religi\u00e3o, a pol\u00edtica, a publicidade, entre v\u00e1rias outras \u00e1reas de atividade em que a produ\u00e7\u00e3o de textos \u00e9 um aspeto central. A cada comunidade discursiva com estas caracter\u00edsticas pode ser associado um determinado tipo de discurso, que engloba todos os textos produzidos no \u00e2mbito da respetiva \u00e1rea de atividade: o discurso jornal\u00edstico, o discurso acad\u00e9mico, o discurso jur\u00eddico, o discurso liter\u00e1rio, o discurso religioso, o discurso pol\u00edtico, o discurso publicit\u00e1rio, etc.<\/p>\n<p>Deste modo, os g\u00e9neros podem ser integrados em determinados tipos de discurso: a not\u00edcia e o editorial no discurso jornal\u00edstico; o artigo cient\u00edfico e a confer\u00eancia no discurso acad\u00e9mico; o ac\u00f3rd\u00e3o e o c\u00f3digo no discurso jur\u00eddico; o romance e o soneto no discurso liter\u00e1rio; o serm\u00e3o e a enc\u00edclica no discurso religioso; etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><a href=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/pge\/conceitos\/\"><strong>\u21d0\u00a0<\/strong>(voltar \u00e0 p\u00e1gina Conceitos)<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><a href=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/pge\/outros-recursos\/\"><strong>\u21d0\u00a0<\/strong>(voltar \u00e0 p\u00e1gina Recursos gerais)<\/a><\/p>\n<hr \/>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-1430 size-full\" src=\"http:\/\/sites.ipleiria.pt\/pge\/files\/2020\/04\/barra-logotipos_27abril2020.png\" alt=\"\" width=\"1085\" height=\"82\" srcset=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/gdip\/files\/2020\/04\/barra-logotipos_27abril2020.png 1085w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/gdip\/files\/2020\/04\/barra-logotipos_27abril2020-300x23.png 300w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/gdip\/files\/2020\/04\/barra-logotipos_27abril2020-1024x77.png 1024w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/gdip\/files\/2020\/04\/barra-logotipos_27abril2020-768x58.png 768w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/gdip\/files\/2020\/04\/barra-logotipos_27abril2020-624x47.png 624w\" sizes=\"auto, (max-width: 1085px) 100vw, 1085px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que se entende por &#8220;g\u00e9nero&#8221;? 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