{"id":276,"date":"2017-09-14T22:57:26","date_gmt":"2017-09-14T22:57:26","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/?page_id=276"},"modified":"2017-09-26T00:10:09","modified_gmt":"2017-09-26T00:10:09","slug":"praca-rodrigues-lobo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/praca-rodrigues-lobo\/","title":{"rendered":"Pra\u00e7a Rodrigues Lobo"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-308 aligncenter\" src=\"http:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/Pra\u00e7aRodriguesLobo1.png\" alt=\"\" width=\"1362\" height=\"535\" srcset=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/Pra\u00e7aRodriguesLobo1.png 1362w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/Pra\u00e7aRodriguesLobo1-300x118.png 300w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/Pra\u00e7aRodriguesLobo1-768x302.png 768w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/Pra\u00e7aRodriguesLobo1-1024x402.png 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1362px) 100vw, 1362px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18pt\"><strong>A Pra\u00e7a e os seus motivos<\/strong><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No s\u00e9culo XIII, a Pra\u00e7a Rodrigues Lobo, denominada deste modo a partir de 1877, tinha uma forma muito diferente da que conhecemos hoje em dia. Na \u00e9poca, chamava-se Pra\u00e7a de S\u00e3o Martinho por nela se encontrar a Igreja de S\u00e3o Martinho, constru\u00edda no s\u00e9c. XII. Em 1383, na Pra\u00e7a de S\u00e3o Martinho, entre a Rua Direita e a de S\u00e3o Francisco, existia o Moinho de Mancebia, que em 1400 foi transformado em Moinho de Azeite e que era propriedade do Rei. Perto deste moinho, encontravam-se os banhos p\u00fablicos, situados no largo dos Banhos (freguesia de S\u00e3o Martinho) junto \u00e0 judiaria e outros lagares de azeite\u00a0<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. A Casa da C\u00e2mara, a Cadeia, o Pelourinho e o Pa\u00e7o dos Tabeli\u00e3es situavam-se frente \u00e0 Igreja de S\u00e3o Martinho. O Rio Lis passava junto \u00e0 Igreja de S\u00e3o Martinho, fazendo um \u00e2ngulo reto para norte, mas tendo em conta as press\u00f5es por parte dos procuradores da cidade, foi realizado, entre 1699 e 1702, um desvio do leito do rio para evitar as cheias frequentes que decorriam na cidade e que devastavam as culturas e bens dos habitantes, o que comprometia a sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O espa\u00e7o frente \u00e0 igreja, que em tempos teria sido uma necr\u00f3pole, transformou-se num ponto central de com\u00e9rcio e, consequentemente, passou a atrair novos habitantes, em particular fam\u00edlias nobres. Com a cria\u00e7\u00e3o do episcopado de Leiria, D. Frei Br\u00e1s de Barros, primeiro bispo de Leiria <a href=\"#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, acordou com a cidade uma troca de terrenos. A cidade cedeu os pa\u00e7os que serviam de C\u00e2mara, junto da Igreja de S\u00e3o Pedro, e a igreja cedeu parte do rossio e o assento da Igreja de S\u00e3o Martinho. A Igreja de S\u00e3o Martinho foi demolida para construir uma pra\u00e7a. Com a demoli\u00e7\u00e3o da Igreja de S\u00e3o Martinho, ter-se-ia que edificar uma nova S\u00e9. Deste modo, ap\u00f3s 1546, com o surgimento desta nova Pra\u00e7a, o espa\u00e7o urbano sofreu uma altera\u00e7\u00e3o, verificando-se um aumento da popula\u00e7\u00e3o nesta \u00e1rea, por ali se realizarem as mais importantes transa\u00e7\u00f5es comerciais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-512 aligncenter\" src=\"http:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/Planta-Leiria.png\" alt=\"\" width=\"524\" height=\"466\" srcset=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/Planta-Leiria.png 940w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/Planta-Leiria-300x267.png 300w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/Planta-Leiria-768x683.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 524px) 100vw, 524px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Apesar de inicialmente a classe aristocr\u00e1tica e a nobreza preferirem habitar nos edif\u00edcios do interior das muralhas do Castelo, com o passar dos tempos e nomeadamente ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o da nova pra\u00e7a, as pessoas das classes mais altas foram habitando casas fora do limite dos muros. Deste modo, foram surgindo edif\u00edcios vistosos na v\u00e1rzea do rio. No s\u00e9c. XVI, foi constru\u00eddo o pal\u00e1cio do Marqu\u00eas de Vila Real que possu\u00eda uma frente voltada para o Rossio e outra para a Pra\u00e7a Rodrigues Lobo. Este pal\u00e1cio era constitu\u00eddo por duas partes ligadas por um arco que estabelecia a liga\u00e7\u00e3o da pra\u00e7a com o Rossio e ocupava toda a parte sudeste da pra\u00e7a. Este edif\u00edcio foi adquirido por Joaquim Z\u00faquete em 1888. Parte deste edif\u00edcio foi demolido no final do s\u00e9c. XIX e, mais tarde, o <strong>Arquiteto Korrodi<\/strong> reconstruiu uma parte do edif\u00edcio conhecido hoje como <strong>Edif\u00edcio Z\u00faquete<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Edif\u00edcio Z\u00faquete cont\u00e9m na sua fachada tr\u00eas tipos de faixas de azulejos, o que designamos em Matem\u00e1tica por<strong> frisos<\/strong>. Como iremos observar mais abaixo, estes objetos t\u00eam como base o estudo das propriedades de simetria de uma figura. No caso dos frisos, existem apenas <strong>7 tipos diferentes<\/strong>, ou seja, 7 formas diferentes de construir um friso a partir de uma figura base.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-544 aligncenter\" src=\"http:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/edif\u00edcio-Z\u00faquete3.png\" alt=\"\" width=\"436\" height=\"346\" srcset=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/edif\u00edcio-Z\u00faquete3.png 436w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/edif\u00edcio-Z\u00faquete3-300x238.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 436px) 100vw, 436px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O arquiteto Korrodi foi extremamente influente na cidade de Leiria, sendo v\u00e1rios dos edif\u00edcios mais emblem\u00e1ticos de Leiria por si projetados. Da pra\u00e7a podemos observar uma outra obra de Korrodi, a <strong>Casa do Arco<\/strong>. Esta obra tinha como objetivo aumentar a \u00e1rea habit\u00e1vel de um edif\u00edcio.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-546 aligncenter\" src=\"http:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/casa-do-arco5.png\" alt=\"\" width=\"349\" height=\"244\" srcset=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/casa-do-arco5.png 349w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/casa-do-arco5-300x210.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 349px) 100vw, 349px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para al\u00e9m da beleza do edif\u00edcio, encontramos nesta casa azulejos bastante estimulantes do ponto de vista matem\u00e1tico. Quando analisamos um <strong>mosaico<\/strong>, procuramos determinar o seu padr\u00e3o, isto \u00e9, identificar o processo de repeti\u00e7\u00e3o do <strong>motivo<\/strong>. Existem 17 tipos diferentes de formas de construir um mosaico (no plano); matematicamente foi provado que existem <strong>17 grupos cristalogr\u00e1ficos <\/strong>(bidimensionais). Para perceber a diferen\u00e7a entre eles \u00e9 necess\u00e1rio perceber o conceito de isometria, nomeadamente, os conceitos de transla\u00e7\u00f5es, rota\u00e7\u00f5es, reflex\u00f5es e reflex\u00f5es deslizantes. A ideia base \u00e9 perceber como podemos repetir um motivo num plano.<\/p>\n<p>Por exemplo, na casa do arco encontramos o seguinte padr\u00e3o de repeti\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-519 aligncenter\" src=\"http:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/casa-do-arco3.png\" alt=\"\" width=\"322\" height=\"251\" srcset=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/casa-do-arco3.png 574w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/casa-do-arco3-300x234.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 322px) 100vw, 322px\" \/><\/p>\n<p>no qual o motivo \u00e9 a seguinte imagem<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-520 aligncenter\" src=\"http:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/casa-do-arco4.png\" alt=\"\" width=\"90\" height=\"90\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Este motivo \u00e9 repetido por reflex\u00e3o (ou rota\u00e7\u00e3o) e de seguida aplica-se a transla\u00e7\u00e3o. Tendo em conta a forma como \u00e9 constru\u00eddo, classificamos como pertencente ao grupo cristalogr\u00e1fico p4m.<\/p>\n<p>A cal\u00e7ada portuguesa tamb\u00e9m pode ser classificada desta forma (quando se trata de simetrias deste tipo), como \u00e9 o exemplo da cal\u00e7ada que pisamos desde a S\u00e9 at\u00e9 \u00e0 pra\u00e7a.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-548 aligncenter\" src=\"http:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/pra\u00e7a-rodrigues-lobo3.png\" alt=\"\" width=\"743\" height=\"487\" srcset=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/pra\u00e7a-rodrigues-lobo3.png 743w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/pra\u00e7a-rodrigues-lobo3-300x197.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 743px) 100vw, 743px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No entanto, o pavimento da Pra\u00e7a Rodrigues Lobo \u00e9 classificado de forma diferente porque revela uma simetria radial, estamos perante uma <strong>roseta\u00a0<\/strong><a href=\"#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-525\" src=\"http:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/pra\u00e7a-rodrigues-lobo.jpg\" alt=\"\" width=\"314\" height=\"211\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-561 alignnone\" src=\"http:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/Pra\u00e7a.png\" alt=\"\" width=\"258\" height=\"234\" srcset=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/Pra\u00e7a.png 546w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/matematicaporleiria\/files\/2017\/09\/Pra\u00e7a-300x273.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 258px) 100vw, 258px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">_____________________________________<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Gomes, S. A. (1990). A pra\u00e7a de S\u00e3o Martinho de Leiria do s\u00e9culo XII \u00e0 reforma de 1546. <em>Sep. de: Mundo da Arte: Revista de Arte, Arqueologia e Etnografia, II<\/em>, 57-77.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Gomes, S. A. (1993). A organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano numa cidade estremanha: Leiria Medieval. <em>Sep. de: A cidade. Jornadas Inter e Pluridisciplinares. Actas II. Lisboa : Universidade Aberta.<\/em>, 83-113.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">_____________________________________<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Gomes, S. A. (1993). A organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano numa cidade estremanha: Leiria Medieval. Sep. de: A cidade. Jornadas Inter e Pluridisciplinares. Actas II. Lisboa : Universidade Aberta., 83-113.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> Foi bispo de Leiria entre 1545 e 1556.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> figura plana limitada, que tem centro e tem simetria de rota\u00e7\u00e3o ou simetrias de rota\u00e7\u00e3o e de reflex\u00e3o, mas n\u00e3o possui simetria de transla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Pra\u00e7a e os seus motivos No s\u00e9culo XIII, a Pra\u00e7a Rodrigues Lobo, denominada deste modo a partir de 1877, tinha uma forma muito diferente da que conhecemos hoje em dia. Na \u00e9poca, chamava-se Pra\u00e7a de S\u00e3o Martinho por nela se encontrar a Igreja de S\u00e3o Martinho, constru\u00edda no s\u00e9c. XII. 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