{"id":461,"date":"2012-06-02T21:00:23","date_gmt":"2012-06-02T21:00:23","guid":{"rendered":"http:\/\/sites.ipleiria.pt\/mercadolivro\/?p=461"},"modified":"2012-06-03T11:17:31","modified_gmt":"2012-06-03T11:17:31","slug":"luisa-ducla-soares-no-mercado-do-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/mercadolivro\/2012\/06\/02\/luisa-ducla-soares-no-mercado-do-livro\/","title":{"rendered":"Lu\u00edsa Ducla Soares no Mercado do Livro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/sites.ipleiria.pt\/mercadolivro\/files\/2012\/06\/DSC_00591.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-515 aligncenter\" src=\"http:\/\/sites.ipleiria.pt\/mercadolivro\/files\/2012\/06\/DSC_00591-1024x681.jpg\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"388\" srcset=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/mercadolivro\/files\/2012\/06\/DSC_00591-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/mercadolivro\/files\/2012\/06\/DSC_00591-300x199.jpg 300w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/mercadolivro\/files\/2012\/06\/DSC_00591-450x300.jpg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um espa\u00e7o. Uma autora. Duas paix\u00f5es. Lu\u00edsa Ducla Soares foi a convidada deste s\u00e1bado da r\u00fabrica \u2018No mercado do livro com\u2026\u2019. Estivemos \u00e0 conversa com a escritora, que nos falou da sua recente obra \u00abO meu primeiro E\u00e7a\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Porque \u00e9 que gosta de escrever para crian\u00e7as?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Eu sempre gostei de inventar hist\u00f3rias para crian\u00e7as. Comecei a escrever para crian\u00e7as quando tinha 10, 12 anos. Aos 10 anos comecei a fazer poemas e aos 12\/13 anos comecei a escrever hist\u00f3rias, e depois nunca mais parei. Esta \u00e9 a paix\u00e3o pelas crian\u00e7as e a paix\u00e3o pela literatura. \u00c9 um 2 em 1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>O que significa, para si, enquanto entusiasta da obra de E\u00e7a de Queir\u00f3s, ter a oportunidade de escrever esta obra?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">J\u00e1 \u00e9 o quarto livro que eu fa\u00e7o sobre E\u00e7a de Queir\u00f3s. Primeiro, a C\u00e2mara de Lisboa pediu-me para escrever sobre o E\u00e7a para as crian\u00e7as, e eu fiz um livro sobre a inf\u00e2ncia dele, e sobre a Rosa, uma personagem de Os Maias. E\u00e7a passou algum tempo no s\u00edtio que \u00e9 hoje a Biblioteca de Lisboa, nos Olivais, e portanto, procurei reviver um pouco\u00a0esse tempo em que ele era crian\u00e7a. Depois fiz um projeto que gostei muito, que foi passear em Lisboa com o E\u00e7a. Estive a reler todos os romances, a ver onde \u00e9 que moravam todas as personagens &#8211; praticamente est\u00e3o limitadas \u00e0 parte central do Chiado &#8211; a casa em que o E\u00e7a tinha morado com os pais, no Rossio. Procurei tamb\u00e9m a casa de Antero de Quental, de Oliveira Martins, de todos os seus amigos e os caf\u00e9s que ele frequentava.\u00a0Ent\u00e3o, organizei com a C\u00e2mara passeios para estudantes dos \u00faltimos anos do 3\u00ba ciclo e tamb\u00e9m para adultos. Passear por Lisboa com E\u00e7a \u00e9 uma coisa engra\u00e7ada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Acresce que as crian\u00e7as n\u00e3o conhecem E\u00e7a, e apeteceu-me fazer uma adapta\u00e7\u00e3o dos seus contos que t\u00eam tem\u00e1ticas que acho que interessam mesmo \u00e0s crian\u00e7as, embora sejam talvez um pouco dif\u00edceis para elas. Em todo o caso, procurei ser o mais pr\u00f3xima poss\u00edvel da sua linguagem, desvirtuado o m\u00ednimo poss\u00edvel do seu estilo. Adaptei, portanto, seis contos do E\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Agora, fizeram-me o pedido para fazer \u00abO Meu Primeiro E\u00e7a\u00bb. Com a minha paix\u00e3o, e tamb\u00e9m porque j\u00e1 tinha tanto material guardado, tive o maior gosto em voltar ao meu amigo E\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>E o que a fez apaixonar pela escrita de E\u00e7a de Queir\u00f3s?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">V\u00e1rias coisas. Uma delas \u00e9 a sua permanente atualidade, porque embora ele escrevesse num determinado per\u00edodo, n\u00e3o perdeu a atualidade como Camilo [Castelo Branco], por exemplo. Acho que Camilo fala de situa\u00e7\u00f5es e de sentimentos que j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam nada a ver com a realidade. Claro que n\u00f3s sabemos que as coisas passadas com E\u00e7a de Queir\u00f3s foram passadas no tempo dele, mas ele tem uma modernidade que faz com que elas se mantenham interessantes hoje. Depois, com a sua maneira de escrever, acho que realmente \u00e9 um dos maiores prosadores da literatura portuguesa.\u00a0Ao mesmo tempo, tem uma linguagem acess\u00edvel. Tem tamb\u00e9m o que para mim \u00e9 muito importante, um humor de certa maneira doce e sarc\u00e1stico, que poucos ou nenhum t\u00eam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Julga que os jovens est\u00e3o desinteressados pela leitura?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00e3o acho que isso seja real. Eu acho que as crian\u00e7as no primeiro ciclo se interessam imensamente pela leitura, muito mais do que no passado, porque estas crian\u00e7as t\u00eam nas pr\u00f3prias escolas pessoas que fazem com que elas se interessem pelos livros. N\u00e3o t\u00eam s\u00f3 as professoras, como as bibliotecas j\u00e1 bastante razo\u00e1veis e em muitas delas, t\u00eam bibliotec\u00e1rias que fazem uma permanente anima\u00e7\u00e3o das bibliotecas e que conseguem cativar muit\u00edssimo os alunos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No segundo ciclo, ainda h\u00e1 interesse pela leitura, mas a partir do 7\u00ba ano ele desaparece. Acho que isso acontece por v\u00e1rias raz\u00f5es. Por um lado porque os professores j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam tanta influ\u00eancia sobre eles &#8211; o professor prim\u00e1rio tem muita influ\u00eancia. A partir da\u00ed, eles gostam de ser independentes e de fazer tudo ao contr\u00e1rio daquilo que lhes sugerem. Depois, est\u00e3o apaixonados pelos computadores. O que n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o leiam! Eles leem. Tamb\u00e9m \u00e9 uma coisa errada dizer que o jovem n\u00e3o l\u00ea se ele n\u00e3o l\u00ea um livro. Ao longo da hist\u00f3ria, nem sempre aquilo que se lia era em livros: havia c\u00f3digos, folhas de pergaminho enroladas e havia quem escrevesse em tijolos e em pedras. Acho que l\u00e1 por o livro ser escrito num computador, n\u00e3o deixa de ser um livro. Al\u00e9m disso n\u00e3o leem jornais, mas leem <em>blogs<\/em>. E h\u00e1 <em>blogs <\/em>interessant\u00edssimos. Uns que at\u00e9 s\u00e3o das pr\u00f3prias escolas, outros s\u00e3o de adultos, outros de adolescentes. H\u00e1 <em>blogs<\/em> s\u00f3 de poesia, outros que apresentam narrativas diversas, outros que falam imenso sobre viagens, outros que s\u00e3o uma esp\u00e9cie de di\u00e1rios onde os adolescentes se reveem. N\u00e3o acho que isso seja nada contra o livro. Se eles lerem, se contactarem com a l\u00edngua, se pensarem, na realidade, n\u00e3o h\u00e1 problema.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um espa\u00e7o. Uma autora. Duas paix\u00f5es. 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