{"id":139,"date":"2023-04-24T14:16:15","date_gmt":"2023-04-24T14:16:15","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/?p=139"},"modified":"2023-04-26T12:45:57","modified_gmt":"2023-04-26T12:45:57","slug":"diana-andringa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/diana-andringa\/","title":{"rendered":"Diana Andringa"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"139\" class=\"elementor elementor-139\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-9210191 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"9210191\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-ef4eaea\" data-id=\"ef4eaea\" 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elementor-top-column elementor-element elementor-element-7b17520\" data-id=\"7b17520\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-755fc6f4 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"755fc6f4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><strong style=\"font-size: 1rem\">Trocou a medicina pelo jornalismo. Passou pela imprensa, mas foi na reportagem em televis\u00e3o e document\u00e1rio que desenvolveu grande parte da sua carreira. \u2018Sentada no Mocho\u2019, Diana Andringa recorda algumas das suas est\u00f3rias. Diz que o jornalismo de hoje sofre de precariedade e velocidade e aos jovens profissionais recomenda an\u00e1lise, contextualiza\u00e7\u00e3o e forte consci\u00eancia.<\/strong><\/p><p><strong>\u00a0<\/strong><\/p><p><strong>Porque trocou a medicina pelo jornalismo?<br \/><\/strong>Por v\u00e1rias raz\u00f5es. Desde pequena tinha jeito para escrever. Era o que eu sabia fazer melhor. Tinha quatro anos e bafejava os vidros para escrever neles. Gostava de inventar hist\u00f3rias. Embora o meu sonho fosse escrever livros, n\u00e3o era uma ideia de profiss\u00e3o. A medicina era a profiss\u00e3o que considerava com mais utilidade, sobretudo para quem, como eu, vem de \u00c1frica, onde havia muita mal\u00e1ria e v\u00e1rias doen\u00e7as end\u00e9micas para que era preciso lutar. Entrei com muito entusiasmo, mas foram acontecendo diversas coisas. Comecei a colaborar com as associa\u00e7\u00f5es de estudantes. No dia 21 de janeiro de 1965 a PIDE prendeu cerca de 50 estudantes da academia de Lisboa, alguns de Coimbra, e at\u00e9 alguns liceais. Fiquei indignada e pensei \u201cse o Governo pode mandar prender pessoas, se h\u00e1 uma pol\u00edcia pol\u00edtica, \u00e9 porque as pessoas n\u00e3o sabem, porque se o povo soubesse n\u00e3o ia aceitar, portanto \u00e9 preciso denunciar\u201d. Foi ent\u00e3o que fizemos o boletim de medicina. Entretanto chumbei a anatomia. Quando j\u00e1 estava praticamente decidida a sair, houve as inunda\u00e7\u00f5es em Lisboa que mataram uma s\u00e9rie de pessoas. Os jornais n\u00e3o o podiam noticiar. Quem fez a grande parte da assist\u00eancia no terreno foram os estudantes, as associa\u00e7\u00f5es de estudantes e a Juventude Universit\u00e1ria Cat\u00f3lica. Fizemos, ao mesmo tempo, reportagens no terreno. A partir da\u00ed, soube logo que era aquilo que queria fazer, queria escrever e denunciar. Possivelmente fui melhor jornalista do que talvez seria boa m\u00e9dica.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Essa descoberta deu-lhe mais for\u00e7a para ser uma profissional exemplar?<br \/><\/strong>Toda a vida fui treinada para ser o melhor poss\u00edvel. O natural era ser boa aluna e ter exig\u00eancia connosco mesmos. Nasci em Angola, onde havia escola para brancos e para negros, as escolas era segregadas. Nessa altura, as professoras pediam para os meninos fazerem desenhos nos cadernos para ficarem mais bonitos e n\u00f3s d\u00e1vamos aqueles erros de quem escrevia com tinta permanente. A professora, um dia, para nos mostrar como n\u00f3s \u00e9ramos um desastre, mostrou-nos os cadernos dos meninos da escola negra \u2013 os cadernos eram lindos, limp\u00edssimos, impec\u00e1veis \u2013 e ela disse \u00absabem, eles n\u00e3o se podem dar ao luxo de n\u00e3o estudar\u00bb. Esta frase ficou-me na cabe\u00e7a, esta est\u00f3ria de que a pregui\u00e7a era um luxo. Procuro fazer o melhor que sei, n\u00e3o \u00e9 em competi\u00e7\u00e3o com os outros, \u00e9 em competi\u00e7\u00e3o comigo mesma.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Que mem\u00f3rias tem de Angola?<br \/><\/strong>Ao in\u00edcio n\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o que vivia mergulhada naquele ambiente racista. Aos poucos, h\u00e1 coisas que come\u00e7am a revelar. A minha fam\u00edlia tamb\u00e9m me mostrava. Ao longo de toda a minha vida, a minha m\u00e3e s\u00f3 me deu dois pares de estalos. O primeiro foi quando eu, imitando o que via os outros meninos fazer, e tamb\u00e9m pelo mau feitio, de um pontap\u00e9 num dos criados l\u00e1 de casa. A minha m\u00e3e viu-me, agarrou-me, deu-me dois pares de estalos e disse \u00abagora pedes imediatamente desculpa, o que \u00e9 que pensas que est\u00e1s a fazer?\u00bb. De repente, percebi que uma coisa que parecia normal n\u00e3o era nada normal, porque para a minha m\u00e3e se zangar daquela maneira\u2026 Lembro-me que havia duas missas, a das sete horas para os negros e s\u00f3 depois para os brancos. Eu era profundamente cat\u00f3lica e metia-me muita impress\u00e3o \u2013 como \u00e9 que algu\u00e9m defende uma religi\u00e3o e depois \u00e9 capaz de ser assim?<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Ser mulher alguma vez lhe criou dificuldades em ambiente profissional?<br \/><\/strong>Colocou, logo ao princ\u00edpio, porque eu fui convidada a participar na revista <em>Vida Mundial<\/em>, n\u00e3o como jornalista \u2013 porque naquele tempo se pensava que as mulheres n\u00e3o tinham c\u00e9rebro para ser jornalistas. Tive de entrar como tradutora e s\u00f3 passei para jornalista quando se renovou a dire\u00e7\u00e3o. H\u00e1, depois, outras situa\u00e7\u00f5es em que a quest\u00e3o se p\u00f5e, por exemplo, quando se chega a chefe. Naquele tempo os homens n\u00e3o gostavam de ser chefiados por mulheres. Como dizia a Maria de Lurdes Pintassilgo, \u00ab\u00e9 o mesmo que uma mulher a guiar, quando vai bem ningu\u00e9m repara, assim que faz uma asneira, claro, era uma mulher!\u00bb. A \u00fanica vez que me disseram diretamente que eu n\u00e3o podia fazer algo por ser mulher foi quando veio a Lisboa um porta-avi\u00f5es norte-americano e eles proporcionaram aos jornalistas uma aterragem. Depois houve coisas engra\u00e7adas como entrar no Afeganist\u00e3o com a guerrilha isl\u00e2mica. Tirando esses pormenores, de uma forma geral, n\u00e3o prejudicou. Acho que em certos aspetos o facto de se ser mulher pode ter ajudado, por exemplo, em entrevistas.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-f905360 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"f905360\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-432f3f0\" data-id=\"432f3f0\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-fa16357 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"fa16357\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<blockquote><h1 style=\"text-align: center\"><strong>&#8220;O jornalismo de hoje sofre da<br \/>precariedade e da velocidade&#8221;<\/strong><\/h1><\/blockquote>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-ff2e8c4 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"ff2e8c4\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-88dc55f\" data-id=\"88dc55f\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-e07c075 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"e07c075\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><strong>Presa pela PIDE, apercebe-se da import\u00e2ncia da imagem quando apenas tem quatro paredes brancas em redor.<br \/><\/strong>De repente \u00e9s privada de tudo o que estavas habituada a ver e passas a ter imensas saudades de coisas de que nunca na vida pensaste vir a ter saudades. Eu tive a sorte de ter grades que davam sobre o Tejo, pior estavam os que estavam com vista para o muro. De repente, percebi que a imagem \u00e9 mesmo muito importante. Ser privado de imagem perturba profundamente. Ficas quase fisicamente doente com a aus\u00eancia da imagem. Por outro lado, depois dessa experi\u00eancia, ouves as hist\u00f3rias de uma maneira completamente diferente. Acordou-me para a imagem e passei a prestar muito mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0s est\u00f3rias que as pessoas t\u00eam para contar.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>De que modo essas experi\u00eancias tiveram influ\u00eancia na sua forma de fazer jornalismo?<br \/><\/strong>Fiquei convencida da profundidade das pessoas. Aprendi bastante cedo a ver como as pessoas s\u00e3o ambivalentes. Por exemplo, n\u00f3s t\u00ednhamos guardas e algumas colaboravam com a PIDE, por isso, desconfi\u00e1vamos de todas por igual. E eu encontrei l\u00e1 uma guarda que um dia me fez uma coisa extremamente simp\u00e1tica. E ent\u00e3o percebe-se que o mundo \u00e9, felizmente, muito mais diverso, n\u00e3o \u00e9 tudo t\u00e3o claro ou \u00f3bvio. Todas estas contradi\u00e7\u00f5es fazem com que se queira sempre tentar perceber mais. As pessoas s\u00e3o capazes de chorar num dia e torturar no dia seguinte, as pessoas s\u00e3o complexas. Muitas vezes, como jornalistas, pela pressa, reduzimos as coisas ao estere\u00f3tipo, como se todas as coisas fossem planas, e n\u00e3o s\u00e3o. \u00c9 a complexidade que \u00e9 interessante encontrar \u2013 o tentar chegar \u00e0quela pessoa, revelar aquela pessoa. Mas coisas espont\u00e2neas levam muito tempo a conseguir. Para que uma pessoa se entregue numa entrevista tem de se criar uma rela\u00e7\u00e3o com ela. A c\u00e2mara tem uma grande import\u00e2ncia\u2026 obriga as pessoas a revelarem a alma.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Um trabalho que a tenha marcado especialmente?<br \/><\/strong>Eu gosto muito da \u201cGera\u00e7\u00e3o de 60\u201d \u2013 que \u00e9 o meu patinho feio \u2013 que deve ter sido a coisa com mais cr\u00edticas negativas e positivas. Reconhe\u00e7o que do ponto de vista est\u00e9tico n\u00e3o \u00e9 um grande document\u00e1rio, do ponto de vista jornal\u00edstico acho que foi extremamente importante na altura. Serviu para mostrar o que n\u00e3o era mostrado \u2013 houve dois militares pelo menos que me disseram \u00abobrigado porque finalmente consegui chorar tudo o que n\u00e3o tinha conseguido chorar pela guerra colonial\u00bb, porque eram pessoas que n\u00e3o conseguiam falar disso. Eu gosto de fazer filmes com pessoas dentro. Era muito criticada por estar sempre a p\u00f4r \u201ccabe\u00e7as falantes\u201d. E eu costumo dizer que n\u00e3o conhe\u00e7o nada mais bonito do que uma pessoa inteligente a pensar, n\u00e3o conhe\u00e7o nenhuma imagem mais bonita.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>E uma situa\u00e7\u00e3o?<br \/><\/strong>H\u00e1 muitas. H\u00e1 uma que deixou uma profunda marca. Provavelmente, mudou muito a maneira como olho para as coisas. Em 1979, foi muito falado nos jornais o caso de uma menina angolana que se suicidou. Descobriu-se nessa altura que era v\u00edtima de maus tratos. Antes de fazer a pe\u00e7a, fui falar com v\u00e1rios psiquiatras infantis para saber o que achavam sobre fazer uma pe\u00e7a acerca do suic\u00eddio de uma crian\u00e7a. Tentei rodear-me de todos os cuidados. N\u00e3o mostrei nenhum retrato da menina. A menina ia fazer as compras e ia para a escola cheia de verg\u00f5es e ningu\u00e9m se metia nisso. A ideia era mostrar que todos somos c\u00famplices. A pe\u00e7a foi muito bem recebida por toda a gente. E eu fiquei descansada, achei que tinha sido socialmente \u00fatil. Um dia toca o telefone da reda\u00e7\u00e3o. Atendi, e uma voz de homem disse \u00abeu sou o filho da madrinha da Ana Maria, era s\u00f3 para dizer que a minha m\u00e3e se suicidou, a senhora deve ficar muito contente\u00bb. Eu n\u00e3o sou juiz, sou jornalista. Obviamente n\u00e3o fiz aquele trabalho para a senhora se matar. Tive colegas que tinham identificado muito mais a senhora do que eu, mas aquele homem considerou-me a respons\u00e1vel pela morte da m\u00e3e. E essa no\u00e7\u00e3o para mim \u00e9 muito clara \u2013 n\u00f3s podemos matar pessoas com as palavras \u2013 e n\u00e3o temos no\u00e7\u00e3o nenhuma, usamos as palavras sem prestar aten\u00e7\u00e3o, deitamos abaixo pessoas sem provas nenhumas de que seja assim, fazem-se verdadeiras conspira\u00e7\u00f5es.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Qual \u00e9 o papel do jornalista hoje em dia?<br \/><\/strong>\u00c9 o mesmo de sempre: \u00e9 mostrar os males do mundo e as possibilidades de solu\u00e7\u00e3o. \u00c9 n\u00e3o se armar ele em importante, porque importantes s\u00e3o os outros. Acho que a miss\u00e3o \u00e9 sempre a mesma \u2013 mudar o mundo para melhor, se conseguirmos. \u00c9 n\u00e3o deixar as pessoas esquecerem, distra\u00edrem-se. O papel do jornalista \u00e9 alertar, denunciar, mostrar, n\u00e3o permitindo que o mal permane\u00e7a silenciado. Depois, tem este papel extraordin\u00e1rio de contar est\u00f3rias e de mostrar pessoas fant\u00e1sticas, isso tamb\u00e9m \u00e9 importante.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Como caracteriza o jornalismo de hoje?<br \/><\/strong>O jornalismo de hoje sofre, acima de tudo, da precariedade e da velocidade. A quest\u00e3o da precariedade \u00e9 extremamente importante, porque ningu\u00e9m \u00e9 livre sendo prec\u00e1rio. Um jornalista tem de ter um contrato firme para saber que \u00e9 livre dentro do seu \u00f3rg\u00e3o de imprensa, que n\u00e3o vai ser a todo o momento amea\u00e7ado. Um jornalista prec\u00e1rio est\u00e1 nas m\u00e3os de todas as for\u00e7as. Depois, \u00e9 a quest\u00e3o da velocidade. Neste momento exige-se aos jornalistas uma velocidade que \u00e9 incompat\u00edvel com a reflex\u00e3o. O jornalismo n\u00e3o \u00e9 retrato\u00a0<em>a la minuta<\/em>. O jornalismo tem de ser pensamento elaborado sobre as coisas, tem que ser fornecer \u00e0s pessoas a informa\u00e7\u00e3o sobre as coisas para que elas possam pensar e decidir \u2013 e isso n\u00e3o se faz com uma fotografia instant\u00e2nea, tem que ser com contextualiza\u00e7\u00e3o.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Quais as tr\u00eas grandes qualidades de um jornalista?<br \/><\/strong>Tens de te interessar pelas coisas. Depois, tens de ter empatia pelos outros seres humanos. H\u00e1 que compreender e tentar compreender e n\u00e3o ver as outras pessoas como um mero estere\u00f3tipo. Ser\u00e1 bom que se saiba escrever extremamente bem, porque \u00e9 preciso que o leitor tenha gosto em ler o que se escreve. Depois \u00e9 preciso uma fort\u00edssima consci\u00eancia deontol\u00f3gica. E eu acho que o principal \u00e9 mesmo seres um bom cidad\u00e3o. Se fores um bom cidad\u00e3o h\u00e1 coisas que nunca far\u00e1s como jornalista. Que consci\u00eancia social \u00e9 que tu tens? Sem consci\u00eancia social eu n\u00e3o percebo porque \u00e9 que algu\u00e9m quer ser jornalista.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Que conselhos deixa aos futuros jornalistas?<br \/><\/strong>Que aprendam a dizer que n\u00e3o, al\u00e9m do mais, \u00e0 facilidade, e depois \u00e0s ordens idiotas. No caso das ordens idiotas, pe\u00e7am inocentemente a ordem por escrito. Normalmente j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 repetida. \u00c0 capacidade de descobrir, aliada ao interesse pelos seres humanos. E, talvez, ligarem um pouco menos ao Facebook e \u00e0s novas tecnologias. Us\u00e1-las e n\u00e3o serem usados. Olhar e interrogar sempre a not\u00edcia, levar sempre mais fundo a an\u00e1lise. N\u00e3o se pode ser her\u00f3i todos os dias, mas \u00e9 como a objetividade \u2013 n\u00e3o podemos ser totalmente objetivos, mas devemos tender para o sermos.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-91d8886 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"91d8886\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-08ead37\" data-id=\"08ead37\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-36ccda1 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"36ccda1\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>\u00a0<\/p><hr \/><p><strong style=\"font-size: 1rem\">Aka<\/strong><strong style=\"font-size: 1rem\">d\u00e9micos 63 (13 de mar\u00e7o de 2014)<br \/><\/strong><strong>Entrevista por: <\/strong>Daniela Carmo<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\/*! elementor &#8211; v3.12.1 &#8211; 02-04-2023 *\/ .elementor-widget-image{text-align:center}.elementor-widget-image a{display:inline-block}.elementor-widget-image a img[src$=&#8221;.svg&#8221;]{width:48px}.elementor-widget-image img{vertical-align:middle;display:inline-block} Diana Andringa Jornalista Trocou a medicina pelo jornalismo. Passou pela imprensa, mas foi na reportagem em televis\u00e3o e document\u00e1rio que desenvolveu grande parte da sua carreira. \u2018Sentada no Mocho\u2019, Diana Andringa recorda algumas das suas est\u00f3rias. 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