{"id":144,"date":"2023-04-24T14:19:08","date_gmt":"2023-04-24T14:19:08","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/?p=144"},"modified":"2023-04-26T12:44:55","modified_gmt":"2023-04-26T12:44:55","slug":"eduardo-gageiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/eduardo-gageiro\/","title":{"rendered":"Eduardo Gageiro"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"144\" class=\"elementor elementor-144\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-03c9885 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"03c9885\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-9da5f81\" data-id=\"9da5f81\" 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Quebrou barreiras militares para fotografar a revolu\u00e7\u00e3o mais marcante da nossa hist\u00f3ria, registou o atentado aos Jogos Ol\u00edmpicos em primeira m\u00e3o e recebeu pr\u00e9mios em todo o mundo. Sempre acompanhado pela sua m\u00e1quina, Eduardo Gageiro diz que o segredo \u00e9 \u201csentir o que se est\u00e1 a fazer\u201d.<\/strong><\/p><p><strong>\u00a0<\/strong><\/p><p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Como surgiu na sua vida o gosto pela fotografia?<br \/><\/strong>Eu nasci em frente da F\u00e1brica de Loi\u00e7a de Sacav\u00e9m. O meu pai tinha um pequeno estabelecimento onde os oper\u00e1rios iam. Deixavam de manh\u00e3 umas pequenas marmitas para a minha m\u00e3e aquecer e consumiam a bebida. Desde muito jovem contactei com essas pessoas. Na altura andavam descal\u00e7as, a maioria, e aquilo chocou-me. Eu tinha uma m\u00e1quina pequena de pl\u00e1stico, do meu irm\u00e3o, e comecei a fotografar as redes oper\u00e1rias. Tirei a instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e pedi ao meu pai para ir para o liceu. Para minha grande dece\u00e7\u00e3o, ele disse-me: \u00abQual qu\u00ea! O teu futuro \u00e9 na F\u00e1brica de Loi\u00e7a, vais para l\u00e1 para empregado de escrit\u00f3rio\u00bb. Fiquei trist\u00edssimo. Havia um grupo de jovens, que j\u00e1 andava no liceu, com que eu comecei a dar-me muito e que come\u00e7aram a emprestar-me livros e, de certo modo, a mostrar-me o que havia no mundo. Criei dentro de mim alguma revolta, achava que queria mudar o mundo e pensei que a melhor maneira era ser fotojornalista. Na altura, dizia-se \u2018fot\u00f3grafo dos jornais\u2019. Entretanto, comecei a conviver mais intensamente com os oper\u00e1rios e tamb\u00e9m \u2013 e tamb\u00e9m isso teve uma grande influ\u00eancia \u2013 com grandes artistas da f\u00e1brica, pintores, escultores\u2026<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>E o in\u00edcio do fotojornalismo?<br \/><\/strong>Comecei a pedir m\u00e1quinas emprestadas e comecei logo a fotografar de outra maneira. Al\u00e9m do conte\u00fado, que diziam que eu tinha jeito, a parte est\u00e9tica come\u00e7ou imediatamente a ser diferente. Ent\u00e3o Armando Mesquita, escultor que me foi ensinando arte e composi\u00e7\u00e3o, disse: \u00ab\u00c9 p\u00e1, isto n\u00e3o est\u00e1 bem! O teu pai tem de te comprar uma m\u00e1quina\u00bb. E um dia, sem eu saber, aparece l\u00e1 na hora do almo\u00e7o: \u00abEnt\u00e3o, senhor Gageiro, o teu rapaz anda a\u00ed a fotografar com m\u00e1quinas emprestadas?\u00bb. Era o senhor Armando Mesquita, que era uma pessoa muito considerada\u2026 E l\u00e1 fui eu \u00e0 loja. Eu era um mi\u00fado\u2026 ainda agora me comovo. Entretanto houve o primeiro concurso de fotografia dos empregados de escrit\u00f3rio do distrito de Lisboa e pensei em concorrer. Tinha 16 anos. Ganhei logo tr\u00eas primeiros pr\u00e9mios. Ent\u00e3o foi uma bola de neve. Mas eu queria ir para os jornais, pensando que ia mudar o mundo. Tento e n\u00e3o consigo. A determinada altura, um amigo convidou-me e l\u00e1 estavam os grandes craques do jornalismo. Apresentou-me e eu fiquei deslumbrado, n\u00e3o conhecia aquela gente. Jorge Tavares Rodrigues, do <em>Di\u00e1rio Ilustrado<\/em>, disse-me: \u00abApare\u00e7a l\u00e1 amanh\u00e3 e leve-me as fotografias\u00bb e eu levei. O meu pai queria bater-me porque eu tinha abandonado um emprego certo e tinha ido para os jornais. A minha m\u00e3e, coitadinha, disse-me: \u00abMas tu n\u00e3o tens necessidade de ser fot\u00f3grafo\u2026\u00bb. Era profundamente pejorativo ser fot\u00f3grafo.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Como foram esses tempos?<br \/><\/strong>A minha grande evolu\u00e7\u00e3o foi no suplemento liter\u00e1rio do <em>Di\u00e1rio Ilustrado<\/em>, e, depois, no <em>S\u00e9culo Ilustrado<\/em>. Metade das capas do <em>S\u00e9culo<\/em> eram minhas e, na altura, era a b\u00edblia. L\u00e1 come\u00e7o eu a fotografar, entusiasmad\u00edssimo. Mas havia uma m\u00e1fia de fot\u00f3grafos instalados que n\u00e3o gostava de mim. Denunciaram-me. Fui preso, fui para Caxias. Entretanto veio o 25 de Abril. Foi o dia mais feliz da minha vida. Telefonaram-me de madrugada: \u00abVai para o Terreiro do Pa\u00e7o e leva todos os rolos que puderes\u00bb. Tenho isto tudo gravado num livro que fiz chamado <em>Liberdade<\/em>.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>De todas as fotografias que tem, h\u00e1 alguma pela qual sinta um carinho especial?<br \/><\/strong>H\u00e1 uma fotografia, que tamb\u00e9m me levou a ser preso. \u00c9 uma mulher da Nazar\u00e9, uma vi\u00fava vestida de preto. Fiquei muito chocado quando vi aquilo. Senti que aquela senhora, j\u00e1 com uma certa idade, tinha de andar ali a puxar redes para sobreviver, e fiquei revoltad\u00edssimo. Pus naquela fotografia o t\u00edtulo de <em>Calv\u00e1rio<\/em>, e aquilo ganhava pr\u00e9mios onde ia. Quando me prenderam, estive dois anos sem poder concorrer.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-08a375b elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"08a375b\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-151a9d0\" data-id=\"151a9d0\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2f00ade elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"2f00ade\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<blockquote><h1 style=\"text-align: center\"><strong>&#8220;Pensei que atrav\u00e9s da imprensa<br \/>podia denunciar situa\u00e7\u00f5es injustas&#8221;<\/strong><\/h1><\/blockquote>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-589ee0e elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"589ee0e\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-ac41bdc\" data-id=\"ac41bdc\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ca762c3 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"ca762c3\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><strong>Existe algum pr\u00e9mio que seja mais importante para si?<br \/><\/strong>H\u00e1 cinco anos recebi um convite para um concurso na China. Concorri a preto e branco com quatro fotografias. Qual n\u00e3o \u00e9 o meu espanto quando recebo um convite para estar presente na entrega do pr\u00e9mio. Tinham concorrido 35 mil fotografias, de n\u00e3o sei quantos pa\u00edses, e eu tinha ganho a medalha de ouro, o pr\u00e9mio do melhor conjunto preto e branco e o pr\u00e9mio especial do j\u00fari. Fiquei deslumbrado\u2026 no fim de velhote, ainda ganho. Depois, convidaram-me para fazer uma exposi\u00e7\u00e3o com 222 fotografias no Museu Mundial de Arte em Pequim. E ent\u00e3o, \u00e9 assim, posso morrer, mas morro feliz.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Como recorda o atentado aos Jogos Ol\u00edmpicos?<br \/><\/strong>S\u00f3 fiz o embarque dos palestinianos com os israelitas, n\u00e3o fiz, ningu\u00e9m fez, o massacre, que aconteceu no aeroporto. \u00c9 uma longa hist\u00f3ria. Eu estava l\u00e1 para fazer fotografias dos acontecimentos desportivos. Naquele dia, ningu\u00e9m podia entrar, estava tudo bloqueado, s\u00f3 os atletas \u00e9 que podiam entrar. Eu fui ficando, sou muito teimoso. Os meus colegas foram desistindo, desistindo, e eu ali, armado em teimoso. N\u00e3o sabia o que estava a acontecer, mas vi tudo muito efervescente. Consigo entrar com atletas. Vejo dois \u00e1rabes sentados no meio da escada. Estavam ali a controlar, com certeza. Subo a p\u00e9 16 andares at\u00e9 \u00e0 delega\u00e7\u00e3o portuguesa. N\u00e3o podia quase respirar. \u201cApaguem as luzes que eu quero ir para a janela\u201d, e ent\u00e3o apoiei os cotovelos na varanda.\u00a0<em>Flash<\/em>\u00a0era impens\u00e1vel, n\u00e3o \u00e9? S\u00f3 com as luzes dos helic\u00f3pteros, fa\u00e7o quatro ou cinco fotografias, velocidade lenta. Falo imediatamente com Lisboa e digo \u201co treinador de luta greco-romana vai regressar e leva o rolo, v\u00e3o instru\u00e7\u00f5es no papel\u201d. Depois fui para o centro de imprensa, disse o que tinha feito e as pessoas n\u00e3o acreditaram. A Associated Press tentou negociar: \u00ab250 contos, d\u00e1 c\u00e1 o rolo\u00bb. \u201cN\u00e3o tenho o rolo\u201d. Duzentos e cinquenta contos na altura era um Volkswagen, mas naquela noite n\u00e3o era muito importante o dinheiro. Eu estava t\u00e3o entusiasmado, n\u00e3o pensei em dinheiro. Continuo a n\u00e3o ser materialista. Podia ter ganho 250 contos e depois mandava as fotografias para o\u00a0<em>S\u00e9culo<\/em>, mas era desleal.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Qual o segredo para se conseguirem boas fotografias em momentos de tens\u00e3o? A teimosia?<br \/><\/strong>Eu acho que sim, e \u00e9 preciso sentir o que se est\u00e1 a fazer. Eu costumo dizer que \u00e9 preciso saber olhar, mas dentro de n\u00f3s tem de haver\u2026 no meu caso\u2026 a viv\u00eancia com os oper\u00e1rios da f\u00e1brica. Isso reflete-se na nossa maneira de ser, na maneira de encarar a vida, na nossa maneira de fotografar.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>As fotografias jornal\u00edsticas devem contar uma hist\u00f3ria?<br \/><\/strong>Eu acho que sim. Acho fundamental uma pessoa estar bem documentada do que vai fazer. N\u00e3o \u00e9 fotografar como nos velhos tempos, em que os fot\u00f3grafos iam \u00e0 reda\u00e7\u00e3o ver os servi\u00e7os que estavam marcados, iam ao arm\u00e1rio buscar a m\u00e1quina e iam disparar, entregavam o servi\u00e7o e iam-se embora. Deixavam a m\u00e1quina e no outro dia iam busc\u00e1-la outra vez. Quer dizer\u2026 isto n\u00e3o \u00e9 nada!<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Existe alguma pessoa que tenha gostado particularmente de ter fotografado?<br \/><\/strong>Existe um livro chamado\u00a0<em>Revela\u00e7\u00f5es<\/em>\u00a0em que eu tinha de saber o m\u00e1ximo sobre cada fotografado e ent\u00e3o propunha-lhes fazer um papel. Descobri coisas interessantes. Jorge Sampaio, por exemplo, percebe de m\u00fasica e fotografei como se fosse um maestro a dirigir uma orquestra. Esse livro tem fotografias muito giras, que as pessoas pensam que s\u00e3o fotomontagem e n\u00e3o s\u00e3o. Consegui p\u00f4r o Champalimaud com luvas de boxe e Eanes com uma lupa de relojoeiro, porque \u00e9 um homem de rigor e precis\u00e3o.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>J\u00e1 perdeu alguns momentos importantes por n\u00e3o ter a sua m\u00e1quina por perto?<br \/><\/strong>N\u00e3o. Ando sempre com a m\u00e1quina. O que n\u00e3o quer dizer que seja infal\u00edvel\u2026<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Acha que o aparecimento da fotografia digital retirou magia \u00e0 fotografia?<br \/><\/strong>O digital tem uma vantagem\u2026 Por exemplo, quando estive nos Jogos Ol\u00edmpicos, podia fazer fotografias com qualidade sem ser necess\u00e1ria impress\u00e3o. Simplesmente perde-se o prazer de as relevarmos. Eu n\u00e3o percebo nada de computadores. Quando pe\u00e7o ao meu filho para fazer coisas sinto-me quase desligado, n\u00e3o sei\u2026 Uma pessoa revelar e depois fixar\u2026 \u00e9 um prazer que nem queira saber.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Porque \u00e9 que prefere as fotografias a preto e branco?<br \/><\/strong>Porque s\u00e3o mais intensas, s\u00e3o mais reais. Acho que est\u00e3o mais perto da realidade.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Porqu\u00ea escolher o fotojornalismo para mudar o mundo?<br \/><\/strong>Pensei que atrav\u00e9s da imprensa podia denunciar as situa\u00e7\u00f5es injustas.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Vale o risco?<br \/><\/strong>Se n\u00e3o houvesse imprensa, n\u00e3o seria nada. Viu, por exemplo, um pol\u00edcia em Guimar\u00e3es que deu uma tareia a um tipo? Numa situa\u00e7\u00e3o daquelas simplesmente prendiam. N\u00e3o precisavam de bater. \u00c9 isso. N\u00e3o me calo. Dizem-me: \u00abTu tens de ter cuidado\u2026\u00bb. Cuidado com o qu\u00ea?! N\u00e3o estamos num pa\u00eds democr\u00e1tico?! Acho p\u00e9ssimo a maioria das pessoas abster-se\u2026 V\u00e3o votar! Assim n\u00e3o podem protestar. Eu vejo pessoas de Sacav\u00e9m, que t\u00eam uma reforma de mis\u00e9ria, a comprar tr\u00eas carapaus ou meio frango\u2026 e \u00e9 de vez em quando! Como \u00e9?! Trabalharam toda a sua vida! E depois aparecem esses frangos de avi\u00e1rio que enriquecem num instante. Eu, como digo, n\u00e3o vejo partidos, mas as pessoas.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Gosta de ser fotografado ou prefere fotografar?<br \/><\/strong>Detesto ser fotografado. N\u00e3o \u00e9 por ter a mania de ficar bem ou mal. N\u00e3o gosto de ter uma m\u00e1quina a fotografar-me.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Que conselhos deixa aos jovens que queiram seguir fotografia ou fotojornalismo?<br \/><\/strong>Fundamentalmente, t\u00eam de ter paix\u00e3o pela fotografia. Para mim, a fotografia \u00e9 um instante, e fazer uma coisa que \u00e9 um instante, que tenha conte\u00fado e seja bela, \u00e9 muito dif\u00edcil. Uma pessoa tem de prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s pequenas coisas e sentir o que vai acontecer.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-0c51745 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"0c51745\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-24adb8b\" data-id=\"24adb8b\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-6fc6fb6 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"6fc6fb6\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>\u00a0<\/p><hr \/><p><strong>Akad\u00e9micos 68 (28 de maio de 2015)<br \/>Entrevista por:<\/strong> Cristina Oliveira, \u00c2ngela Capela e Andreia Rosa<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\/*! elementor &#8211; v3.12.1 &#8211; 02-04-2023 *\/ .elementor-widget-image{text-align:center}.elementor-widget-image a{display:inline-block}.elementor-widget-image a img[src$=&#8221;.svg&#8221;]{width:48px}.elementor-widget-image img{vertical-align:middle;display:inline-block} Eduardo Gageiro Fotojornalista Podia ter sido empregado de escrit\u00f3rio, mas preferiu mudar o mundo atrav\u00e9s da sua lente. Quebrou barreiras militares para fotografar a revolu\u00e7\u00e3o mais marcante da nossa hist\u00f3ria, registou o atentado aos Jogos Ol\u00edmpicos em primeira m\u00e3o e recebeu pr\u00e9mios em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4604,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-144","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4604"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144"}],"version-history":[{"count":20,"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1441,"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144\/revisions\/1441"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}