{"id":158,"date":"2023-04-24T15:10:13","date_gmt":"2023-04-24T15:10:13","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/?p=158"},"modified":"2023-04-26T12:37:55","modified_gmt":"2023-04-26T12:37:55","slug":"carlos-vaz-marques","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/carlos-vaz-marques\/","title":{"rendered":"Carlos Vaz Marques"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"158\" class=\"elementor elementor-158\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-cb568a5 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"cb568a5\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-88481c2\" 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A participar atualmente no \u201cGoverno Sombra\u201d, v\u00ea-se no futuro a refletir sobre a entrevista como g\u00e9nero, porque \u201cperguntar tem muito que se lhe diga\u201d.<\/strong><strong style=\"font-size: 1rem\">\u00a0<\/strong><\/p><p><strong>\u00a0<\/strong><\/p><p><strong>Frequentou a licenciatura de L\u00ednguas e Literaturas Modernas, na Faculdade de Ci\u00eancias Sociais e Humanas, da Universidade Nova. Como surgiu depois o interesse pela \u00e1rea da comunica\u00e7\u00e3o?<br \/><\/strong>Na verdade, o meu primeiro interesse estava mais ligado \u00e0 literatura do que propriamente \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o e foi por isso que fiz esse curso. Nos primeiros tempos fui professor, durante dois anos, ainda antes de terminar a licenciatura, com a habilita\u00e7\u00e3o suficiente, mas ao mesmo tempo o meu interesse pela literatura tinha uma vertente ligada \u00e0 escrita e ao jornalismo cultural. Fui convidado, por uma circunst\u00e2ncia fortuita, para escrever para o <em>Jornal de Letras, Artes e Ideias<\/em>, e foi o primeiro s\u00edtio onde publiquei.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Integra depois a equipa da R\u00e1dio Universidade Tejo, em meados dos anos 80. Foi a\u00ed que se instalou o \u201cbichinho\u201d da r\u00e1dio?<br \/><\/strong>Tinha esse gosto pela r\u00e1dio, mais pela \u00e1rea da divulga\u00e7\u00e3o musical. Quando me convidaram para integrar a reda\u00e7\u00e3o do <em>JL<\/em> para escrever alguns textos, reportagens e entrevistas, aquilo tornou-se mais importante para mim do que o percurso que tinha feito at\u00e9 ao momento e da\u00ed seguiu-se um trajeto sem grandes surpresas. Tinha liga\u00e7\u00e3o \u00e0 r\u00e1dio e aos livros, porque tudo isto foi sempre paralelo. Depois, o Em\u00eddio Rangel convidou-me para fazer umas rubricas sobre livros na TSF e, ao fim de um ano, para integrar a reda\u00e7\u00e3o, deixando o seman\u00e1rio <em>JL<\/em>, onde estava na altura, para passar a rep\u00f3rter generalista e editor de not\u00edcias. Foi por a\u00ed adiante. Fui rep\u00f3rter pol\u00edtico, enviado especial a v\u00e1rios s\u00edtios, fiz notici\u00e1rios, o \u201cF\u00f3rum TSF\u201d e acabei por voltar aos livros a fazer uma rubrica que durou at\u00e9 h\u00e1 um ano.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Que aprendizagens se levam da experi\u00eancia em r\u00e1dio universit\u00e1ria? O que mais o marcou?<br \/><\/strong>Era uma r\u00e1dio universit\u00e1ria que emitia no Instituto Superior T\u00e9cnico. Era constitu\u00edda por alunos universit\u00e1rios de v\u00e1rias licenciaturas, de v\u00e1rias faculdades. No fundo, fiz l\u00e1 v\u00e1rios programas, mas eram todos ligados \u00e0 m\u00fasica. Houve um que tinha tamb\u00e9m umas entrevistas, ali\u00e1s, mais do que um, mas era tudo relativamente amador e incipiente. E ao mesmo tempo muito apaixonado e intenso, porque vibr\u00e1mos muito com aquela experi\u00eancia inicial que est\u00e1vamos a ter. As experi\u00eancias, os ensinamentos\u2026 Foram os ensinamentos da \u201ctarimba\u201d, digamos, do traquejo, da experi\u00eancia de encontrar\u2026 e de perceber o que funcionava pior e o que funcionava melhor. Por exemplo, de me habituar \u00e0 minha pr\u00f3pria voz, que \u00e9 um processo por que t\u00eam de passar sempre as pessoas que fazem r\u00e1dio, porque a voz que n\u00f3s temos dentro da cabe\u00e7a n\u00e3o \u00e9 aquela que depois ouvimos no gravador, quando a gravamos. Foi um per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o muito importante, mas que n\u00e3o saberia descrever exatamente. \u00c9 como a inf\u00e2ncia, n\u00e3o \u00e9? Digamos que est\u00e1 l\u00e1 tudo em pot\u00eancia e \u00e9 l\u00e1 que encontramos as marcas do que vai ser importante para n\u00f3s, mas \u00e9 dif\u00edcil distinguir o momento A e o momento B em que algo se tornou de facto relevante.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Em 1990 torna-se jornalista da TSF. Como foi a adapta\u00e7\u00e3o a uma r\u00e1dio nacional e quais as diferen\u00e7as entre a r\u00e1dio da altura e a que conhecemos na atualidade?<br \/><\/strong>Bem, a adapta\u00e7\u00e3o foi entusiasmada e dif\u00edcil. Dif\u00edcil s\u00f3 no sentido em que senti o peso da responsabilidade, porque de um momento para o outro estava a ver-me num meio que chegava longe, mais longe do que o nicho que era o <em>JL<\/em>, onde eu escrevia anteriormente, ou a R\u00e1dio Universidade Tejo, em que comecei. Aquilo era um megafone gigante e, portanto, percebi que tinha repercuss\u00f5es a que n\u00e3o estava ainda habituado. Nesse sentido foi um sobressalto, eram tempos muito intensos. N\u00f3s pass\u00e1vamos 20 horas por dia na r\u00e1dio, cheguei a dormir l\u00e1 em ocasi\u00f5es especiais, em grandes acontecimentos mundiais. Havia de facto um esp\u00edrito de equipa tamb\u00e9m muito forte. A TSF marcou uma \u00e9poca. Penso que \u00e9 dif\u00edcil hoje, para quem n\u00e3o viveu esse per\u00edodo, acompanhar o que foi essa experi\u00eancia. Diria que o que se ganhou em profissionalismo, em profissionaliza\u00e7\u00e3o, em organiza\u00e7\u00e3o, perdeu-se em entusiasmo. Portanto, \u00e9 essa a principal diferen\u00e7a que eu vejo desse per\u00edodo para agora, em termos da r\u00e1dio.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-948cf4c elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"948cf4c\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-8bcf652\" data-id=\"8bcf652\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a643401 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"a643401\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<blockquote><h1 style=\"text-align: center\"><strong>&#8220;Entrevistar tem muito<br \/>que se lhe diga&#8221;<\/strong><\/h1><\/blockquote>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-c172eb4 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"c172eb4\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-7c71bf8\" data-id=\"7c71bf8\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-40c19e9 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"40c19e9\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><strong>No ano de 2001 estreia \u201cPessoal\u2026 e Transmiss\u00edvel\u201d, o seu primeiro projeto individual radiof\u00f3nico, que deu depois origem ao livro hom\u00f3nimo. Qual a sensa\u00e7\u00e3o de ter o pr\u00f3prio programa e qual o motivo de escolher o g\u00e9nero de entrevista?<br \/><\/strong>Eu j\u00e1 tinha feito programas pr\u00f3prios na r\u00e1dio universit\u00e1ria, mas claro que a escala na TSF era muito diferente. O programa nasceu de uma circunst\u00e2ncia fortuita. Propu-lo ap\u00f3s entrevistar um escritor espanhol, em Madrid, numa altura em que a r\u00e1dio tinha capacidade de apostar em trabalhos menos correntes. A entrevista teve uma \u00f3tima repercuss\u00e3o e fui questionado se n\u00e3o tinha vontade de entrevistar com regularidade. A partir de uma entrevista, nasceu todo o programa, que acabou por estar no ar durante 16 anos.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Enquanto rep\u00f3rter da TSF, qual foi a viagem mais enriquecedora a n\u00edvel profissional e pessoal?<br \/><\/strong>Bem, todas as viagens s\u00e3o enriquecedoras, seja para o bem ou para o mal. Diria que a mais me marcou foi, sem d\u00favida, Timor-Leste, antes da independ\u00eancia. Foram duas estadias, sendo que cada uma durou cerca de um m\u00eas: uma antes do referendo e outra logo a seguir. Estive presente no momento ap\u00f3s a declara\u00e7\u00e3o dos resultados, quando ocorreu uma rea\u00e7\u00e3o das mil\u00edcias indon\u00e9sias que colocou o pa\u00eds \u201ca ferro e fogo\u201d. Vim-me embora quando Timor-Leste estava, literalmente, a pegar fogo. Durante esse per\u00edodo de campanha, ocorreram v\u00e1rios assassinatos e amea\u00e7as que me levaram a fazer-me passar por um rep\u00f3rter franc\u00eas, pois as mil\u00edcias pr\u00f3-indon\u00e9sias tinham como alvo os rep\u00f3rteres portugueses.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>O seu percurso profissional cruza-se igualmente com os livros, nomeadamente na \u00e1rea da tradu\u00e7\u00e3o. Como surge essa atividade e quais os seus principais desafios?<br \/><\/strong>Tendo feito a minha forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea da literatura, nunca deixei de ter esse gosto particular, que hoje \u00e9 mais forte que o interesse jornal\u00edstico. A certa altura comprei em Barcelona uns livros do autor Francisco Umbral, em especial o livro \u201cMortal e Rosa\u201d, e foi um autor de que gostei bastante. Por prazer de brincar com as palavras e experimentar como aquilo soava em portugu\u00eas, comecei a traduzir peda\u00e7os do livro. Ao final de um tempo, j\u00e1 tinha uma boa parte traduzida. Esse autor s\u00f3 tinha um livro publicado em Portugal, numa editora que j\u00e1 n\u00e3o existe, que era a Campo das Letras, e um dia lembrei-me de a contactar e perceber se tinham interesse, uma vez que tinham um livro do autor e n\u00e3o havia mais refer\u00eancia dele em Portugal. Propus que vissem a tradu\u00e7\u00e3o e eles responderam-me para a acabar porque iam public\u00e1-la. Traduzi tamb\u00e9m outros livros e liguei-me a uma editora, a Tinta da China, onde sou respons\u00e1vel por uma cole\u00e7\u00e3o de literatura de viagens, \u00e1rea que me agrada bastante. As coisas encadearam-se. Fiz algumas tradu\u00e7\u00f5es para essa cole\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o sou nenhum tradutor profissional, no sentido em que n\u00e3o \u00e9 a minha principal ocupa\u00e7\u00e3o. Traduzo coisas que me interessam, prop\u00f5em ou de que gosto pessoalmente.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Entre 2013 e 2018 assumiu o cargo de diretor da\u00a0<em>Granta<\/em>\u00a0portuguesa, revista liter\u00e1ria com g\u00e9nese no peri\u00f3dico ingl\u00eas criado em 1889 por estudantes da Universidade de Cambridge. O que implica construir uma revista inteiramente dedicada \u00e0 literatura na atualidade?<br \/><\/strong>A\u00a0<em>Granta<\/em>\u00a0tem uma hist\u00f3ria e tradi\u00e7\u00e3o j\u00e1 longas. Eu fui assinante da\u00a0<em>Granta<\/em>\u00a0por um per\u00edodo de tr\u00eas ou quatro anos. Quando percebi que tinha mais n\u00fameros por ler do que os que tinha tempo para ler, acabei por n\u00e3o continuar a assinatura. A dona da editora Tinta da China, B\u00e1rbara Bulhosa, prop\u00f4s-me que fiz\u00e9ssemos uma revista liter\u00e1ria em Portugal, e, por um conjunto de circunst\u00e2ncias do acaso, falei-lhe na possibilidade de fazer uma vers\u00e3o portuguesa da\u00a0<em>Granta<\/em>. Entretanto, e por mais um acaso, ela conheceu o respons\u00e1vel internacional da\u00a0<em>Granta<\/em>\u00a0no Brasil e falou-lhe disso. Mostrou-lhe o nosso cat\u00e1logo e achou que tinha tudo a ver com a revista. A coisa aconteceu com a naturalidade das coisas imposs\u00edveis que se tornam reais: de repente o que era um sonho meio parvo, acabou por se tornar realidade.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>O \u201cGoverno Sombra\u201d, um programa sobre a atualidade sob a lente do humor, nasceu em 2008 na TSF e cresceu tamb\u00e9m para a televis\u00e3o em 2012, prolongando-se at\u00e9 aos dias de hoje. Qual o segredo para manter o sucesso do programa?<br \/><\/strong>O segredo \u00e9 sermos os quatro participantes muito diferentes, entre n\u00f3s, mas tamb\u00e9m ao mesmo tempo termos muito a unir-nos, nomeadamente o gosto pela conversa, sem \u201carmar aos c\u00e1gados\u201d, como se costuma dizer, portanto, uma conversa, digamos, informal, levando as coisas a s\u00e9rio, tanto quanto elas s\u00e3o para ser levadas a s\u00e9rio, mas tamb\u00e9m n\u00e3o as levando demasiado a s\u00e9rio. Conseguimos olhar para a realidade com algum esp\u00edrito ir\u00f3nico, porque as coisas n\u00e3o t\u00eam que ser necessariamente solenes e pesadas. E depois o facto de nos darmos todos bem \u00e9 essencial, n\u00e3o \u00e9? Evidentemente que, se algu\u00e9m estivesse ali em conflito ou desagradado com outro dos membros do painel, provavelmente teria acabado e isso n\u00e3o \u00e9 prov\u00e1vel que aconte\u00e7a. Temos todos um conjunto de valores e de atitudes que, sendo n\u00f3s muito diferentes uns dos outros, nos unem.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Como \u00e9 a din\u00e2mica de grupo com Ricardo Ara\u00fajo Pereira, Pedro Mexia e Jo\u00e3o Miguel Tavares?<br \/><\/strong>Os diferentes pontos de vista fazem parte da natureza do programa, quer dizer, s\u00e3o mesmo a mat\u00e9ria-prima do programa. N\u00f3s n\u00e3o estamos ali para nos convencermos uns aos outros de nada, n\u00e3o \u00e9? E, portanto, acaba por ser f\u00e1cil. Temos uma coisa em comum, sim, temos um ponto muito importante que nos une, que \u00e9 a ideia de que a liberdade de express\u00e3o \u00e9 fundamental e de que cada pessoa est\u00e1 habilitada a exprimir o seu ponto de vista, respeitando o ponto de vista dos outros. Basta isso. Claro que h\u00e1 coisas que um acha que o outro disse de forma tola, ou que o outro pensa que \u00e9 uma palermice ou uma aberra\u00e7\u00e3o, mas ningu\u00e9m se melindra demasiado com isso e, portanto, a coisa corre bem.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Atualmente atua em v\u00e1rios contextos da comunica\u00e7\u00e3o. Como consegue conciliar as \u00e1reas da escrita, audiovisual e radiof\u00f3nica?<br \/><\/strong>N\u00e3o h\u00e1 nenhum segredo especial. \u00c9 necess\u00e1rio ter esp\u00edrito de organiza\u00e7\u00e3o, manter uma certa disciplina, mas, no fundo, \u00e9 trabalhando. Trabalho, de facto, algumas horas por dia, mas, como s\u00e3o \u00e1reas nas quais eu gosto de trabalhar, n\u00e3o me custa tanto como se fossem \u00e1reas pelas quais n\u00e3o tenho apre\u00e7o.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Qual a sua perspetiva em rela\u00e7\u00e3o aos desafios que se colocam hoje ao jornalismo?<br \/><\/strong>S\u00e3o m\u00faltiplos, dif\u00edceis e para alguns n\u00e3o encontro uma solu\u00e7\u00e3o clara, com muita pena minha. Um aspeto que me preocupa \u00e9 o facto de a imprensa em papel ter os dias contados. O audiovisual cresceu drasticamente, o que fez com que os produtos jornal\u00edsticos entrassem em competi\u00e7\u00e3o com todo outro tipo de comunica\u00e7\u00e3o difusa, como as redes sociais e os novos media. Este fator afeta o financiamento do jornalismo, criando dificuldades \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de projetos de qualidade, n\u00e3o s\u00f3 pela falta de financiamento, como tamb\u00e9m pela dificuldade em cativar o p\u00fablico.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Tendo em conta o contexto pand\u00e9mico, qual dos setores em que trabalha considera ter sido mais afetado?<br \/><\/strong>Toda a sociedade foi afetada e o jornalismo e os media tamb\u00e9m foram, desde logo por uma quebra de receitas e problemas de financiamento. N\u00e3o sabemos ainda as sequelas que v\u00e3o ficar de tudo isto, mas estamos todos \u201cmetidos num molho de br\u00f3colos\u201d que esperamos que se resolva, sabendo que vamos ter um per\u00edodo longo de problemas associados a este tempo an\u00f3malo. A mim, pessoalmente, n\u00e3o me fez grande diferen\u00e7a sendo que fa\u00e7o teletrabalho h\u00e1 muito tempo e, portanto, n\u00e3o senti muito impacto dessa transforma\u00e7\u00e3o.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Existe ainda algum projeto que gostasse de realizar? Quais as proje\u00e7\u00f5es para o futuro?<br \/><\/strong>Existem v\u00e1rios. Uma das coisas que quero fazer \u00e9 uma biografia da entrevista. Pratiquei muito este g\u00e9nero e entrevistar\/perguntar tem muito que se lhe diga. Parece-me que \u00e9 um ensaio que quero escrever e sobre o qual tenho algumas ideias, por isso \u00e9 um dos projetos que vou realizar o mais brevemente poss\u00edvel.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-fc96f02 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"fc96f02\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-4cf773c\" data-id=\"4cf773c\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-b4a2311 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"b4a2311\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>\u00a0<\/p><hr \/><p><strong>Akad\u00e9micos 92 (15 de abril de 2021)<br \/>Entrevista por:<\/strong> Carolina Faustino, Diogo Ma\u00e7arico e J\u00e9ssica Patr\u00edcio<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\/*! elementor &#8211; v3.12.1 &#8211; 02-04-2023 *\/ .elementor-widget-image{text-align:center}.elementor-widget-image a{display:inline-block}.elementor-widget-image a img[src$=&#8221;.svg&#8221;]{width:48px}.elementor-widget-image img{vertical-align:middle;display:inline-block} Carlos Vaz Marques Jornalista e Editor Jornalista, editor, tradutor, escritor, Carlos Vaz Marques conhece bem o mundo dos livros e o da comunica\u00e7\u00e3o, \u00e1reas que sempre articulou no seu percurso profissional. A participar atualmente no \u201cGoverno Sombra\u201d, v\u00ea-se no futuro a refletir sobre [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4604,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-158","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4604"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=158"}],"version-history":[{"count":29,"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1411,"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/158\/revisions\/1411"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}