{"id":161,"date":"2023-04-24T09:23:16","date_gmt":"2023-04-24T09:23:16","guid":{"rendered":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/?p=161"},"modified":"2023-04-26T12:55:10","modified_gmt":"2023-04-26T12:55:10","slug":"ana-peneda-moreira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/ana-peneda-moreira\/","title":{"rendered":"Ana Peneda Moreira"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"161\" class=\"elementor elementor-161\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-646fe35 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"646fe35\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-23c545f\" data-id=\"23c545f\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-7f98a88 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"7f98a88\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"300\" src=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/files\/2023\/04\/AnaPenedaMoreira-300x300.png\" class=\"attachment-medium size-medium wp-image-573\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/files\/2023\/04\/AnaPenedaMoreira-300x300.png 300w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/files\/2023\/04\/AnaPenedaMoreira-1024x1024.png 1024w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/files\/2023\/04\/AnaPenedaMoreira-150x150.png 150w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/files\/2023\/04\/AnaPenedaMoreira-768x768.png 768w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/files\/2023\/04\/elementor\/thumbs\/AnaPenedaMoreira-q5h71j4zwh8scavjkojsg2dxsvvt3hn82dsnjbd0b4.png 200w, https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/files\/2023\/04\/AnaPenedaMoreira.png 1080w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-9e84537 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"9e84537\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-9b86691\" data-id=\"9b86691\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-ef341b8 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"ef341b8\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h2 style=\"text-align: center\">Ana Peneda Moreira<\/h2>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-f8dadb4 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"f8dadb4\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-7d22c52\" data-id=\"7d22c52\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-cfa9483 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"cfa9483\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<h6 style=\"text-align: center\">Jornalista<\/h6>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-4d4cbc8d elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"4d4cbc8d\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-25dd5536\" data-id=\"25dd5536\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-124ebd4f elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"124ebd4f\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><strong style=\"font-size: 1rem\">Ana Peneda Moreira, jornalista e piv\u00f4 da SIC e da SIC Not\u00edcias, foi enviada especial na capital da Ucr\u00e2nia durante o conflito armado. De volta a Portugal, reflete sobre a responsabilidade de ser rep\u00f3rter e trazer \u00e0s pessoas o que n\u00e3o viram, em cen\u00e1rios de \u201cmuita emotividade\u201d que \u00e9 necess\u00e1rio \u201cgerir e filtrar\u201d.<\/strong><br><\/p>\n<p><strong><br><\/strong><\/p>\n<p><strong>&nbsp;<\/strong><strong>O que a motivou a escolher a \u00e1rea do jornalismo?<br><\/strong>Sempre tive uma forte aptid\u00e3o para ser jornalista. Gosto muito de ser jornalista e o que me agrada na profiss\u00e3o \u00e9 esta capacidade de podermos contar hist\u00f3rias, de podermos ser ve\u00edculos que permitem \u00e0s pessoas o conhecimento daquilo que n\u00e3o viram. N\u00f3s, jornalistas, somos esse olhar, um olhar muito importante para a democracia. Essa capacidade de contar hist\u00f3rias foi o que me motivou a ser jornalista.<\/p>\n<p><br><\/p>\n<p><strong>Alguma vez pensou em ser rep\u00f3rter de guerra?<br><\/strong>N\u00e3o. Nunca pensei em ser rep\u00f3rter de guerra, at\u00e9 porque espero que n\u00e3o existam grandes oportunidades para sermos rep\u00f3rteres de guerra. Se o meu trabalho for \u00fatil num cen\u00e1rio que \u00e9 de guerra, ent\u00e3o, sim, eu tenho o objetivo de poder adequar o meu trabalho a esse cen\u00e1rio, mas n\u00e3o \u00e9 um objetivo de vida profissional.<\/p>\n<p><br><\/p>\n<p><strong>Como se sentiu quando soube que ia para Ucr\u00e2nia na qualidade de enviada especial?<br><\/strong>Tive um convite por parte da minha Dire\u00e7\u00e3o para ir para a Ucr\u00e2nia como enviada especial, numa altura em que ainda estava em paz, sendo que havia uma fort\u00edssima possibilidade de a guerra se iniciar. Encarei isso como um desafio, como outros que j\u00e1 surgiram na minha carreira. Senti o orgulho de poder ir e, ao mesmo tempo, o peso da miss\u00e3o. Senti que era algo que estava a fazer que era muito importante, n\u00e3o s\u00f3 para a sociedade portuguesa, mas de uma forma geral.<\/p>\n<p><br><\/p>\n<p><strong>Quais as dificuldades e os maiores desafios que os jornalistas encontraram quando chegaram ao pa\u00eds?<br><\/strong>A primeira dificuldade que encontrei foi a l\u00edngua. Mesmo que n\u00f3s dominemos o ingl\u00eas, a l\u00edngua \u00e9 tamb\u00e9m um ve\u00edculo da nossa cultura e da forma como nos expressamos. No caso da Ucr\u00e2nia, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil sair \u00e0 rua a querer entrevistar algu\u00e9m e facilmente encontrar quem domine o ingl\u00eas, e logo a\u00ed foi um obst\u00e1culo. O segundo maior obst\u00e1culo \u00e9 aquele que estes cen\u00e1rios de guerra trazem, que \u00e9 a contrainforma\u00e7\u00e3o. Quando as tropas come\u00e7am a entrar pela Bielorr\u00fassia em dire\u00e7\u00e3o a Kiev, quando eu estou em Kiev, a\u00ed tudo muda. Os t\u00e1xis desapareceram, os tradutores desapareceram, Kiev entrou de repente num recolher obrigat\u00f3rio. Somos jornalistas e, portanto, o nosso trabalho \u00e9 na rua, a relatar o que se est\u00e1 a passar. Come\u00e7ou a surgir essa dificuldade de questionar como \u00e9 que n\u00f3s far\u00edamos o nosso trabalho, se, em termos de autoridades locais, n\u00e3o havia permiss\u00e3o para estar na rua. Existia uma grande desconfian\u00e7a quanto \u00e0s c\u00e2maras de televis\u00e3o, porque circulava a informa\u00e7\u00e3o de que existiam infiltrados nas ruas, ou seja, russos ou pr\u00f3-russos que estavam na capital ucraniana, e que poderiam estar a fazer-se passar por jornalistas. \u00c9ramos olhados com muita desconfian\u00e7a por pessoas que est\u00e3o com armamento de guerra e com as emo\u00e7\u00f5es \u00e0 flor da pele. Depois h\u00e1 uma segunda fase, que \u00e9 o meu regresso \u00e0 Ucr\u00e2nia. N\u00f3s tivemos uma sa\u00edda repentina. Houve informa\u00e7\u00f5es de Portugal de que as equipas portuguesas estavam em perigo. Corr\u00edamos o risco de ficar numa situa\u00e7\u00e3o de perigo, em que tamb\u00e9m n\u00e3o t\u00ednhamos capacidade de fazer o nosso trabalho. Ponderadas as situa\u00e7\u00f5es, sa\u00edmos em conjunto por via terrestre em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Mold\u00e1via e depois \u00e0 Rom\u00e9nia. Neste regresso, vimos muitos cad\u00e1veres e hist\u00f3rias muito tristes, de pessoas que perderam a fam\u00edlia, que perderam as casas, e, portanto, h\u00e1 muita emotividade que temos de gerir e filtrar, para n\u00e3o nos envolvermos demasiadamente e para termos capacidade de continuar. Na quest\u00e3o da seguran\u00e7a, para envergarmos um colete, que nos protege em caso de uma explos\u00e3o, transportarmos em m\u00e9dia 15kg. H\u00e1 tamb\u00e9m que gerir o cansa\u00e7o.<\/p>\n<p><br><\/p>\n<p><strong>Quais as maiores transforma\u00e7\u00f5es a que assistiu com o decorrer da guerra?<br><\/strong>Eu estive sobretudo na cidade de Kiev, uma cidade cheia de vida. De repente, vimos a transforma\u00e7\u00e3o de uma cidade no seu dia a dia normalizado para uma cidade em defesa. Est\u00e1vamos no meio de uma cidade que estava \u00e0 espera de ser atacada, isso implica soldados na rua, armamento militar, tanques, b\u00fanqueres, sacos de areia e blocos de cimento. Depois, no regresso, \u00e9 indescrit\u00edvel, porque n\u00f3s vimos os arredores de Kiev. Temos o cen\u00e1rio p\u00f3s-guerra, pontes destru\u00eddas, edif\u00edcios e casas que colapsaram. \u00c9 a destrui\u00e7\u00e3o total.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-f71fd4a elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"f71fd4a\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-99c034f\" data-id=\"99c034f\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-fa5819a elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"fa5819a\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<blockquote><h1 style=\"text-align: center\"><strong>&#8220;N\u00e3o estamos ali para ser her\u00f3is,<\/strong><br \/><strong>estamos ali para ser jornalistas&#8221;<\/strong><\/h1><\/blockquote>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-6aa72fc elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"6aa72fc\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-b40312a\" data-id=\"b40312a\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-eb8dd96 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"eb8dd96\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><strong>Alguma vez pensou em abandonar o local por falta de seguran\u00e7a?<br \/><\/strong>Acab\u00e1mos por abandonar. Foi contra a minha vontade. Recebi um telefonema do trabalho sobre as informa\u00e7\u00f5es que estavam a chegar por parte das Dire\u00e7\u00f5es de Informa\u00e7\u00e3o em Portugal, e chegou essa indica\u00e7\u00e3o de que dever\u00edamos sair. Eu n\u00e3o acredito nos jornalistas que est\u00e3o num cen\u00e1rio de guerra e n\u00e3o ponderam as quest\u00f5es de seguran\u00e7a. Uma pessoa que tem coragem de estar num cen\u00e1rio daqueles n\u00e3o \u00e9 expurgada de medo. Estamos ali muito conscientes de que estamos num cen\u00e1rio muito complicado, de que estamos perante v\u00e1rios perigos. \u00c9 a consci\u00eancia desses perigos que nos permite estar em seguran\u00e7a, na minha opini\u00e3o. Fa\u00e7o permanentemente esse trabalho de olhar \u00e0 minha volta e pensar: \u201cEu estou bem aqui, estou em seguran\u00e7a?\u201d. Obviamente que \u00e9 uma seguran\u00e7a sempre muito limitada porque, se andamos no meio de explosivos que podem a qualquer momento rebentar, nunca estamos em seguran\u00e7a. \u00c9 muito importante manter esse alerta constante e, se as nossas informa\u00e7\u00f5es, e at\u00e9 a nossa intui\u00e7\u00e3o, nos disserem \u201cCorremos verdadeiramente perigo\u201d, acho que \u00e9 nessa altura a hora de sair. N\u00e3o devemos ficar at\u00e9 ao limite porque o bom jornalista \u00e9 o jornalista que est\u00e1 vivo e pode contar a sua hist\u00f3ria. N\u00e3o estamos ali para ser her\u00f3is, estamos ali para ser jornalistas.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Foi f\u00e1cil manter o distanciamento profissional?<br \/><\/strong>Eu sinto que foi f\u00e1cil. Acho que isso passa muito pela personalidade de cada um. Estamos perante situa\u00e7\u00f5es muito dif\u00edceis, a ver imagens com que normalmente n\u00e3o somos confrontados. Penso que tive capacidade para manter esse distanciamento. \u00c9 uma gest\u00e3o, que obviamente tamb\u00e9m tem grandes desafios: n\u00e3o perder a sensibilidade de compreender a dor, mas tamb\u00e9m n\u00e3o deixar que essa dor nos envolva de tal forma que percamos aquilo que \u00e9 o distanciamento de um jornalista.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Qual o acontecimento que mais a marcou durante a estadia na Ucr\u00e2nia?<br \/><\/strong>A primeira vez que eu estive na Ucr\u00e2nia, ouvi a guerra e vi aquilo que eram os preparativos para a guerra. No regresso \u00e0 Ucr\u00e2nia, vi o pior da guerra, que \u00e9 aquilo que ela deixa para tr\u00e1s. N\u00e3o sei ainda qual foi a imagem mais dif\u00edcil desta segunda vez, porque nem consigo sequer fazer a sele\u00e7\u00e3o de cada uma das hist\u00f3rias, em cada um dos dias que eu estive na Ucr\u00e2nia. Cada reportagem que enviei tem hist\u00f3rias e pessoas que me marcaram e que eu nunca vou esquecer. E a dor de umas n\u00e3o \u00e9 superior \u00e0 dor das outras. Todas elas perderam muito e est\u00e3o afetadas para a vida inteira. N\u00e3o consigo deixar de pensar nas v\u00e1rias pessoas com quem estive. A intensidade do que vimos foi tanta que eu n\u00e3o consigo dizer assim: \u201cEste foi o grande momento que me marcou\u201d.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Se surgir uma nova oportunidade de fazer este tipo de trabalho num outro cen\u00e1rio de guerra, aceitaria?<br \/><\/strong>N\u00e3o tenho por que dizer que n\u00e3o, neste momento. Talvez sim, n\u00e3o h\u00e1 nada neste momento que me impe\u00e7a de pensar que, numa outra situa\u00e7\u00e3o, eu deixaria de voltar. Como tamb\u00e9m j\u00e1 disse, acho que cada caso \u00e9 um caso e, perante eles, devemos avaliar as nossas condi\u00e7\u00f5es pessoais e f\u00edsicas e, a partir da\u00ed, sabermos que estamos cem por cento capazes de fazer esse trabalho.<\/p><p>\u00a0<\/p><p><strong>Na sua opini\u00e3o, quais s\u00e3o os principais desafios que o jornalismo enfrenta nos dias de hoje?<br \/><\/strong>Eu acho que a internet abriu um mundo de possibilidades, fant\u00e1sticas por um lado, perigosas pelo outro. As\u00a0<em>fake news<\/em>\u00a0s\u00e3o um gigante desafio para o jornalismo. Temos cada vez mais acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e o grande desafio \u00e9 saber triar essa informa\u00e7\u00e3o. N\u00f3s, jornalistas, temos tamb\u00e9m de fazer um trabalho muito pedag\u00f3gico para que as pessoas percebam que as redes sociais n\u00e3o s\u00e3o necessariamente jornalismo. Agora temos a capacidade fant\u00e1stica de fazer um trabalho em direto, de enviar constantemente imagens, mesmo na Ucr\u00e2nia, num cen\u00e1rio de guerra, no meio de destro\u00e7os. Acho que \u00e9 um avan\u00e7o muito positivo e desafiante dos meios para veicular informa\u00e7\u00e3o que depois nos obriga a uma exig\u00eancia incr\u00edvel de sermos r\u00e1pidos e de conseguirmos confirmar muita informa\u00e7\u00e3o, porque o fluxo de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 gigante.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-d940017 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"d940017\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-32d9ea3\" data-id=\"32d9ea3\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-cca8d8e elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"cca8d8e\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>\u00a0<\/p><hr \/><p><strong>Akad\u00e9micos 97 (26 de maio de 2022)<br \/>Entrevista por:<\/strong> Ana Santos, \u00c2ngela Pereira, Mariana Vieira e Sofia Relva<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\/*! elementor &#8211; v3.12.1 &#8211; 02-04-2023 *\/ .elementor-widget-image{text-align:center}.elementor-widget-image a{display:inline-block}.elementor-widget-image a img[src$=&#8221;.svg&#8221;]{width:48px}.elementor-widget-image img{vertical-align:middle;display:inline-block} Ana Peneda Moreira Jornalista Ana Peneda Moreira, jornalista e piv\u00f4 da SIC e da SIC Not\u00edcias, foi enviada especial na capital da Ucr\u00e2nia durante o conflito armado. De volta a Portugal, reflete sobre a responsabilidade de ser rep\u00f3rter e trazer \u00e0s pessoas o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4604,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-161","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4604"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=161"}],"version-history":[{"count":23,"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1468,"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/161\/revisions\/1468"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=161"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=161"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/sites.ipleiria.pt\/sentadosnomocho\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=161"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}