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Tipo de texto expositivo

Na aceção exposta nesta entrada, a categoria “expositivo” designa um tipo de texto (ver Tipo de texto) cuja finalidade consiste em esclarecer ou instruir sobre um dado tema, evento, situação, entidade ou objeto, recorrendo a mecanismos cognitivos de análise e síntese de representações conceptuais. De acordo com esta conceção, os tipos textuais definem-se preferencialmente a partir de dois critérios: o mecanismo cognitivo que subjaz à produção de cada texto e o objetivo sociocomunicativo que o autor pretende atingir.

Todavia, a identificação do tipo em que se insere um dado texto geralmente infere-se com base no reconhecimento da estruturação dos conteúdos e dos mecanismos linguísticos nele atestados. Os textos expositivos distinguem-se de outros tipos, dado que organizam as informações manifestadas de forma a facilitar a compreensão do tema: dividem-no em partes menores e agrupam-nas de maneira clara e lógica. Procedimentos como estes ajudam o leitor a construir uma visão geral coerente sobre o assunto. Apresentar os tópicos com clareza e precisão, segundo uma lógica percetível, é essencial nestes textos. Por isso, definir, classificar e exemplificar são algumas tarefas recorrentemente concretizadas nos textos expositivos.

Assim, entre os mecanismos linguísticos que se manifestam frequentemente nestes textos, incluem-se a ocorrência predominante de conectores lógico-causais (porque, consequentemente, portanto, pois, por isso,etc.). Acresce que também integram formas verbais no presente do indicativo (em geral, com valor habitual ou com valor gnómico) e observa-se o uso de vocabulário específico da área do conhecimento em que se insere o tema abordado. Tais mecanismos estão em consonância com a estruturação textual típica e com o objetivo comunicativo inerente aos textos expositivos.

Apesar de serem específicos deste tipo textual, os referidos mecanismos nem sempre são suficientes para o identificar de forma inequívoca. A distinção entre textos expositivos e argumentativos, por exemplo, pode exigir a identificação do objetivo principal de cada um: enquanto o tipo expositivo visa esclarecer e ensinar, o tipo argumentativo procura influenciar opiniões ou decisões, convencendo o leitor ou persuadindo-o a agir de uma determinada forma. A finalidade visada é, portanto, um critério decisivo que contribui para que se distinga os textos expositivos de outros tipos, em particular dos textos argumentativos.

Alguns géneros discursivos (ver Género) que integram textos expositivos são os manuais escolares, as gramáticas e outros textos de natureza didática, as entradas de enciclopédias e de dicionários, os manuais em que se explica o funcionamento de algo e as reportagens jornalísticas em que se procura informar detalhadamente acerca de um tema específico (como a inflação, os impactos nocivos do aquecimento global, ou a influência das redes sociais no comportamento dos jovens). Com os avanços tecnológicos das últimas décadas, começaram a surgir na internet outros géneros que incluem textos expositivos caracterizados pela multimodalidade, como blogues educativos ou vídeos didáticos.

Uma das limitações apontada a esta conceção diz respeito ao facto de muitos textos integrarem excertos de diversos tipos; ou seja, mais frequentemente, cada texto é predominantemente de um dado tipo, e não exclusivamente desse tipo. Para superar essa dificuldade, introduziu-se a noção de dominante: em cada texto, há, geralmente, um tipo dominante, ou porque a abertura e o encerramento do texto incluem segmentos desse tipo, ou porque a maior parte do texto se insere nesse tipo, ou porque o resumo que se pode fazer da totalidade do texto corresponde a um outro texto que se insere no tipo dominante. Assim, na maioria dos casos, diz-se que os textos desta categoria são predominantemente expositivos, e não exclusivamente expositivos.

De qualquer modo, parece ser consensual a ideia de que os textos expositivos desempenham um papel importante quer em contextos educativos, quer nas interações gerais quotidianas. Caracterizando-se pela ocorrência de mecanismos linguísticos e de uma estruturação das ideias que favorecem a clareza e a precisão, promovem a construção e a partilha do saber. Entre esses mecanismos contam-se o uso frequente de conectores que estabelecem relações lógicas entre os conteúdos manifestados, a adoção da 3.ª pessoa gramatical e de forma verbais no presente do indicativo (com valor gnómico), o uso de linguagem tendencialmente objetiva e denotativa, bem como a ocorrência de definições, classificações e enumerações.

A conceção exposta corresponde à perspetiva das chamadas Gramáticas Textuais. No âmbito dessa área de investigação, Egon Werlich (1983) propôs uma classificação textual que prevê cinco tipos de textos: narrativo, descritivo, argumentativo, expositivo e instrucional (ver Tipo de texto).

Referências

Silva, P. N. (2012). Tipologias textuais. Como classificar textos e sequências. Livraria Almedina/CELGA.

Werlich, E. (1983). A textual grammar of English (2nd ed.). Quelle & Meyer.

Forma de referenciação sugerida

Silva, P. N. (2025). Tipo de texto expositivo. https://sites.ipleiria.pt/pge/texto-expositivo/