EMDA 5 – 12 de janeiro de 2022

A apresentadora

Ana Margarida Simões
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (doutoranda)

Biografia
Concluiu, em 2018, a licenciatura em Línguas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. É mestre em Ensino de Português e de Espanhol no 3.º ciclo do Ensino Básico e no Ensino Secundário pela mesma instituição. Iniciou, em setembro de 2021, o doutoramento em Linguística, na área de Linguística Educacional, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É, desde 2018, professora de espanhol e de português para estrangeiros em escolas de línguas e explicadora da área das humanidades. 

Ana Margarida Simões

A apresentação

Título
Do Ensino Explícito da Escrita ao Desenvolvimento da Consciência Discursiva: um estudo de caso numa turma de Português de 12.º ano

Resumo
Nesta sessão, pretende-se refletir sobre a importância do ensino explícito da escrita no desenvolvimento da consciência discursiva dos estudantes, partindo de um estudo de caso realizado numa turma de Português de 12.º ano.

Como se sabe, a escola é “o lugar não só da iniciação mas também do treino e consolidação de uma aprendizagem da escrita” (Fonseca, 1992, p. 227). Nas aulas de Português (como língua materna), atende-se frequentemente às dimensões ortográfica, lexical e sintática, mas é comum relegar-se para um segundo plano a dimensão textual/discursiva das produções escritas dos alunos. Ora, a capacidade de produzir textos escritos estruturados, coesos e adequados a uma determinada situação comunicativa será fundamental na vida de qualquer estudante, mesmo após a conclusão do seu percurso escolar.

Para se trabalhar esta dimensão em sala de aula, é necessário ter em consideração conceitos como os de tipos de texto (Werlich, 1975), géneros discursivos (Bakhtin, 2006) e sequências textuais (Adam, 1992), bem como os mecanismos de coesão interfrásica, que, habitualmente, constituem áreas críticas da escrita dos alunos do ensino secundário. Além disso, importa dar mais atenção ao processo de escrita, ao invés de se entender o texto como um produto final (Cassany et al., 2011, p. 261). Para tal, deve ser feita uma monitorização das atividades de produção escrita que tenha em conta as fases de planificação, textualização e revisão dos textos (Flower & Hayes, 1981), previstas no Programa e nas Metas Curriculares da disciplina de Português, dentro do domínio da escrita (Buescu et al., 2015).

Nesta comunicação, após um enquadramento teórico, será feita uma breve análise dos conteúdos e objetivos de aprendizagem relativos à escrita nos documentos orientadores de Português. Serão, também, apresentadas as duas sequências didáticas aplicadas durante o estudo de caso, fazendo-se, depois, a discussão dos resultados obtidos, a partir da análise de três tipos de produções textuais recolhidas ao longo do ano letivo e das respostas a um questionário relativo às perceções dos estudantes sobre o processo de escrita, submetido antes e após as didatizações.

Em suma, ao longo da apresentação, procurar-se-á alicerçar a reflexão em contributos teóricos relevantes sobre este tema de investigação, na análise dos documentos curriculares vigentes para a disciplina de Português e, ainda, nos resultados do estudo de caso realizado em contexto escolar.

Palavras-chave: didática da escrita, ensino explícito, consciência discursiva

Referências bibliográficas